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Vida minha, vida tua

SÃO GONÇALO DE AFETOS


Por Paulinho Freitas

 

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

As vidas são entrelaçadas, interligadas por energias invisíveis, não existe lógica nem explicação. As pessoas passam por nossas vidas e deixam suas marcas. Pode ser um instante, um minuto ou anos. Os caminhos seguem diferentes, os olhares mudam de foco e nos perdemos... 


Nessas minhas andanças por este São Gonçalo de Afetos tenho visto e revisto muita gente. Várias pessoas viraram personagens de histórias que aqui conto ou invento. Às vezes a ficção se mistura com a realidade, às vezes a verdade aparece pelada, sem nenhum pudor. 

Quando vou trabalhar vejo um rapaz sentado num banquinho tecendo uma interminável rede de pesca. É uma figura que vou guardar pra sempre na memória. Já virou ponto de referência no bairro Califórnia. 


Na Vila Iara os Mendigatos chamam atenção pela beleza do casal e pela curiosidade de como foram parar  na rua. O engraçado é que na frente do prédio da antiga prefeitura, uma senhora sobrevive da caridade alheia há muitos anos e ninguém quer saber de onde ela vem ou pra onde ela vai nos dias de feriado ou mesmo quando a noite cai. Daniel dança e canta na esquina da Av. Presidente Kennedy com Abílio José de Matos. Todo mundo o conhece. Isto posto só para constar alguns dos muitos pontos de referência humanos e que nos marcam sem percebermos. 


Muitas foram as pessoas que passaram por minha vida. Visitei também eu, muitas vidas. Nos perdemos por motivos vários e nunca mais nos vimos e até nos esquecemos a existência. Mas, aí recebermos a notícia de que a passagem foi feita, o criador chamou  ou simplesmente morreu, dá uma dor no coração que a gente não explica. Passamos por aquele local e lembramos, até uma  lágrima mais atrevida nos faz disfarçar para enxugá-la. Não sei se choramos pela perda ou de remorso por não termos uma participação mais ativa e festiva dentro daquela necessária vida. 


Hoje, agora, neste exato momento, alguém está deixando de existir, buscamos consolo no fato de que o ”o show tem que continuar” e que outras vidas também estão chegando hoje, agora, neste momento. Me dói no peito a certeza de que  tanto o que podia ser dito e ouvido se perderam sem que tivéssemos tempo de dizer e ouvir. 


Não nos apercebemos de que o mundo é um só. Não existe lá fora, estamos todos dentro, enredados, atrelados e entrelaçados.


A minha vida é tua vida e somos muitas vidas juntas. Na minha cabeça a vida é um trem passando por pessoas e lugares, que admiramos, mas não falamos e quando finalmente tentamos esticar as mãos para um toque, elas vão sumindo, sumindo, sumindo... 


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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor

 

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