Bets afetam empresas com faltas, endividamento e pedidos de adiantamento de salário
- Jornal Daki
- há 53 minutos
- 2 min de leitura
Donos de negócios relatam funcionários que somem após o pagamento e crises familiares ligadas a perdas em apostas. Afastamentos por ludopatia cresceram 59,8% em 2025

O avanço das apostas online no Brasil chegou ao ambiente de trabalho e já preocupa empregadores. Donos de negócios relatam funcionários que somem após o pagamento, pedem adiantamentos constantes e apresentam queda de produtividade. Em um caso, um funcionário de restaurante desaparecia por um dia inteiro após receber o salário; a esposa revelou que o dinheiro era perdido em bets. As informações são da Folha de S. Paulo.
A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) afirma que o problema é recorrente entre pequenos empresários.
"Começamos a receber relatos de pedidos constantes de adiantamento, depressão e crises de pânico. Isso vem acompanhado de desatenção dos funcionários e saídas constantes para ir ao banheiro e jogar", diz Gabriel Miranda, líder da entidade em São Paulo.
O impacto atinge grandes companhias. Ypê, Gerdau e Whirlpool já organizaram ações de conscientização e programas de acolhimento para colaboradores afetados. No primeiro ano de mercado regulado (2025), os afastamentos por ludopatia — perda de controle sobre o jogo — subiram 59,8%, de 425 para 679.
O diagnóstico, segundo a OMS, ocorre quando as apostas ganham mais importância do que relações familiares e o trabalho.
O médico do trabalho Marcos Mendanha explica que a dependência por si só não gera incapacidade, mas 82% dos pacientes com transtorno do jogo têm outro transtorno mental associado, como depressão, ansiedade ou dependência química. Quando esses quadros se agravam, começam as faltas e os afastamentos mais longos.
A Femaco, federação que representa trabalhadores da limpeza, alerta para o risco de suicídio. Em 2025, uma documentarista que acompanhou 23 dependentes relatou a morte de oito deles.
Casos na Justiça mostram demissões ligadas ao comportamento compulsivo. O TST avalia se a ludopatia deve ser equiparada à dependência química como critério para reverter justa causa. A orientação da ABRH é que o funcionário busque acolhimento no RH e, se necessário, afastamento pelo INSS.
O Ministério da Saúde lançou um programa de teleatendimento gratuito pelo SUS, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, com capacidade de 600 atendimentos mensais. A inscrição é feita no aplicativo Meu SUS Digital.
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