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Bolsonaro e Wassef combinaram linha de defesa 'generalizada' sobre desvio de joias; entenda

Para a PF, as trocas de mensagens mostram que eles “ocultaram, de forma deliberada, que Jair Bolsonaro tinha levado as joias ao exterior para alienação”

O advogado Frederick Wassef e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução
O advogado Frederick Wassef e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução

O ex-presidente Jair Bolsonaro combinou uma linha de defesa “generalizada” e sem muitos detalhes sobre o inquérito das joias com seu ex-advogado, Frederick Wassef. Em mensagem enviada no dia 7 de março, quatro dias depois de o caso ser revelado na imprensa, o ex-mandatário e seu defensor trocaram mensagens sobre o caso.


“Presidente, a nota como está, ela não nos engessa pra nada. Tem abertura pra gente falar de qualquer pauta, mudar de estratégia a qualquer momento porque é uma nota geral, generalizada sem especificar com detalhe”, escreveu Wassef na ocasião.




Na ocasião, Wassef ainda disse que queria ser creditado na nota pública como “advogado do presidente Jair Bolsonaro”. A ideia, de acordo com o advogado, era fazer um posicionamento vago e dizer que “não há ilegalidade” no caso.


“Se a gente der muito detalhe se amarra, se prende àquilo. Então, tem que ser exatamente nesse molde, bem por cima, deixando claro a seguinte mensagem ao povo: Não há ilegalidade! Não fizemos nada errado! O presidente agiu dentro da lei! E estão distorcendo! Ponto! Só pra ter uma outra palavra pra tirar o que eles vão fazer de maldade contra você”, prosseguiu.



Bolsonaro pediu ajustes no texto e Wassef encaminhou a ele o texto com a manifestação que seria divulgada à imprensa. “Veja agora e aprove”, escreveu. Na sequência, o ex-presidente ligou para o advogado, mas o conteúdo da conversa não foi revelado.


A nota que acabou sendo divulgada na ocasião diz que Bolsonaro “agiu dentro da lei” e “declarou oficialmente os bens de caráter personalíssimo”. O comunicado ainda diz que ele é alvo de uma “verdadeira perseguição política” e que não existe “qualquer irregularidade em suas condutas”.


Posteriormente, a nota foi compartilhada com Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, e Fábio Wajngarten, atual assessor e advogado do ex-presidente, que reclamou da nota após uma fala pública do militar que gerou um “zoológico” na imprensa.



“A nota é necessária tal como está. Protege a imagem do presidente e não compromete ou engessa futuras falas, estratégias e depoimentos. Tem de ser em meu nome. O próprio presidente me disse isto. Não é para ser nota oficial dele. Por favor mantenha a minha nota como estava”, defendeu Wassef. Irritado com a postura de Cid, Wassef reclamou: “Ninguém pode falar porra nenhuma”.


Para a PF, as trocas de mensagens mostram que eles “ocultaram, de forma deliberada, que Jair Bolsonaro tinha levado as joias ao exterior para alienação”.


As mensagens foram tornadas públicas nesta segunda (8) após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou sigilo sobre o inquérito das joias. A investigação da Polícia Federal identificou que o próprio advogado se envolveu no esquema de desvio de joias.


De DCM.


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