Dores menstruais tiram 4 em cada 10 alunas das aulas no Brasil
- Jornal Daki
- há 9 minutos
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Pesquisa inédita do Instituto Alana mostra impacto na aprendizagem e falta de estrutura escolar; meninas negras faltam mais, mas relatam menos dores fortes

Quatro em cada dez estudantes que menstruam (37,1%) faltam às aulas mensalmente devido a dores menstruais, e seis em cada dez relatam cólicas fortes ou moderadas que atrapalham a rotina escolar. Os dados são de pesquisa do Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info, divulgada na quarta-feira (27). O levantamento ouviu 2.551 estudantes – 770 que menstruam –, 303 docentes e 181 gestores de escolas públicas e privadas de todo o país.
A cólica é o principal sintoma que impede a frequência escolar, apontado por 57,7% das entrevistadas. Cansaço e dores no corpo foram citados por 30,1%, dores de cabeça por 28%, dor de barriga por 20,1%, vergonha e medo de vazamento por 19,3%, e falta de banheiro ou produtos de higiene por 8,2%.
A líder da iniciativa de Endometriose do Instituto Alana, Sofia Reinach, alerta que as faltas podem afetar a aprendizagem e gerar defasagem escolar. Ela defende protocolos de faltas justificadas e orientação ao corpo docente para tratar a dor como problema coletivo, não individual.
O estudo também revela desigualdade racial: alunas negras faltam até 1,5 vez mais dias de aula (dois a cinco dias por mês) que as brancas, embora relatem menos dores fortes (25,9% contra 37,5%). A pesquisa indica que meninas negras normalizam mais a dor devido a fatores culturais e podem subnotificar sua intensidade.
Há ainda assimetrias regionais. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, a falta de banheiro e produtos de higiene menstrual aparece como motivo de ausência para 18,9% e 30,2% das alunas, respectivamente. O estudo reforça que o acesso a infraestrutura adequada é condição básica para a permanência escolar.
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