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Torcer contra ou a favor o Brasil?

Por Rofa Rogério Araújo


Arte Jornal Daki com IA
Arte Jornal Daki com IA

Quando chega essa época de Copa do Mundo, podemos perceber as atitudes de muita gente em relação à torcida pela seleção brasileira, a maioria vestindo a camisa e torcendo pela vitória. Só que alguns parecem não agir assim!


Como em plena época em que todos deveriam se unir por algo em comum, como a torcida única pelo país numa competição internacional, pode se transformar em disputa política até mesmo por quem é “dono” da camisa e das cores da Bandeira Nacional? 


Afinal de contas, temos as cores verde, amarelo, azul e branco como sendo de uma nação implementada desde a Independência e Proclamação da República, nos idos de 1822 e 1889, respectivamente, e ninguém pode se apropriar como se as possuísse para si.


Como é bom torcer pelo Brasil, cantar o Hino Nacional, emocionado, tendo a nação como algo único, de união nacional e não como nada que divide e separa todos os irmãos pertencentes a um mesmo país, mesmo com suas diferenças de ideias, cor, raça, religião e classes sociais.


Por isso, não é possível aceitar quem age contra essa maré e quer “ser dono” de uma bandeira, de uma camisa e até das cores e uma nação inteira por puras razões ideológicas, políticas ou por uma preferência entre direita e esquerda, o que nada disso justifica, já que tudo faz parte de uma coletividade e nenhum discurso pode mudar isso. 


Copa do Mundo, Olimpíadas ou competições em que o nosso Brasil participa e disputa é algo que emociona, move uma torcida, para que todos, unidos, desejem a vitória para engrandecer o nome do país e não ser envergonhado quando joga mal e sai derrotado. Ninguém pode desejar a perda de uma partida mesmo de um jogo por questões que não sejam unicamente restritas as qualidades das jogadas e dos atletas em questão.


Assim como num jogo de futebol é preciso ter noção do coletivo que é, já que os onze em campo não podem jogar sozinhos, mas, unidos, em prol da vitória de todos, é preciso da mesma maneira, uma coletividade como país, onde todos se unam para o bem de todos e não apenas dos que pensam iguais e comungam da mesma posição política, social e religiosa.


Já imaginou um “jogo” onde por raiva de um colega que joga junto com você, de repente, chuta para fora ou para o adversário e pega a jogada e faz um gol em seu time, por sua causa? Seria praticamente um caso de “gol contra” em que todos saíram perdendo.


Viver para o bem comum é algo fundamental. Não se pode disputar sozinho o “jogo da vida”. Por mais egoístas que sejam as nossas atitudes, jamais estaremos em nenhuma partida sozinhos e, sim, com os outros. E como jogamos com colegas na mesma seleção? Buscando acertar os passes, rumo ao gol ou cada um fazendo o que quer como se fossem independentes?


A pergunta que fica no ar, mas que precisa ser respondida na prática: torcemos contra a favor de nosso país, Brasil, em seus mais variados aspectos, muito além das quatro linhas de um campo de futebol?   

      

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Rofa Araujo é jornalista, escritor (cronista, contista e poeta), mestre em Estudos Literários (UERJ), professor, palestrante, filósofo e teólogo. 

  



      


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