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Façamos Deus à nossa imagem

Por Odimar Gomes Junior

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Recentemente eu vi o documentário Apocalipse nos Trópicos e fiquei impressionado com a postura belicosa, animosa, exaltada, enfim, uma postura que não lembra o Jesus dos Evangelhos. Isso me levou a uma reflexão que começo a discorrer invertendo, de propósito, uma passagem bíblica: “E disse o homem: Façamos Deus à nossa imagem, conforme a nossa semelhança [...]. E criou o homem Deus à sua imagem; à imagem do homem o criou; Deus Pai, Filho e Espírito Santo os criou”.


Antes de me chamarem de herege por modificar o texto sagrado de Gênesis 1:26 e 27, avaliem se, na prática, não é isso que tem acontecido e identifiquem os verdadeiros hereges.

Jesus disse que pelo fruto nós podemos conhecer a árvore (Mt 12:33), ou seja, nem sempre é o discurso que mostra quem ou o que a pessoa é, mas o fruto, que pode até estar escondido, mas que no momento certo há de ser “apocalipsado”, revelado.


Alguns pregadores e muitos políticos têm utilizado o texto bíblico com o propósito de ganharem dinheiro e poder e, mesmo citando os textos de forma correta, o distorcem em sua interpretação e, consequentemente, na prática a que levam. Eles nunca fariam o que eu fiz com o texto, invertendo-o por escrito ou por palavras, mas não deixam de fazê-lo, ensinando-o erroneamente para a satisfação de seus interesses.


Um pastor violento, por exemplo, pode dizer que “Jesus não era tão mansinho, não”. Que ele “pegou o chicote e meteu o pau no pessoal que tava fazendo coisa errada”. Pois bem, esse pastor não leva nem deixa que levem em consideração o contexto. Quem eram as pessoas envolvidas? Por que Jesus fez isso? Ele não ensina aos seus seguidores que todo texto tem um contexto que precisa ser conhecido para uma correta interpretação. E por que ensinaria se é na ignorância dos outros que ele cresce?


É muito interessante notar que, quando Jesus fez isso, ele o fez justamente para expulsar do templo aqueles que ganhavam dinheiro ali e arrematou: “a minha casa é casa de oração; mas vós fizestes dela covil de salteadores” (Lc 19:46). Após isso, foram ter com ele os coxos e os cegos, a quem ele curava de graça (Mt 21:14). Por causa disso, aqueles que ganhavam fama, poder e dinheiro com a religião indignaram-se e procuravam matá-lo (Mc 11:18).


Percebem como aqueles que se beneficiam do discurso religioso, quando constrangidos ou desmascarados tornam-se violentos? Alguns transbordam essa violência, não conseguem escondê-la. São tão violentos que ela, a violência, extravasa pela expressão do rosto, pelo gestual, pelo timbre da voz e pelo linguajar utilizado. Outros conseguem esconder o ódio, mas são capazes de coisas inimagináveis a cristãos e a não cristãos.


Apocalipse nos Trópicos revela muito bem o que já deveria ser de amplo conhecimento: que o Evangelho de Jesus Cristo tem se tornado um meio de ganhar poder, dinheiro e votos. Que o discurso religioso cristão não mais aponta para o céu, mas para a terra. Que o que se almeja não é uma vida de santidade e de serviço, mas prosperidade, riqueza, saúde e poder. Jesus não é mais Senhor! Tornou-se um escravo a serviço do crente que crê que tudo pode.


Jesus está longe desse pessoal, e se você quer conhecê-lo, não dê ouvidos a essas pessoas, porque Jesus não se parece em nada com elas, pois ele disse acerca de si mesmo que era manso e humilde e fez um convite: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.” (Mt 11:29)


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Odimar Junior, maratonista amador e que deseja continuar correndo por muitos anos, a menos que o joelho impeça.

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