O Último Lugar que Não Diminui Ninguém
top of page

O Último Lugar que Não Diminui Ninguém

Por Mira Pimentel


Gerada por IA
Gerada por IA

O Carnaval é o maior espetáculo popular do planeta.

E ele tem sotaque brasileiro, suor carioca e brilho de avenida.


O Carnaval do Rio de Janeiro não é apenas festa.

É indústria criativa.

É resistência cultural.

É tambor que pulsa identidade.


Em 2026, foi considerado um dos maiores da história do Brasil.

Estimativa de R$ 18,6 bilhões movimentados na economia.

Fluxo recorde de turistas nas principais cidades.

Hotéis lotados. Ambulantes sorrindo. Costureiras virando noites.

Empregos temporários que viram alívio permanente.

Pequenos negócios respirando depois de anos de sufoco.


O Carnaval é a prova de que cultura também é PIB.

Que fantasia também paga boleto.

Que arte também sustenta mesa.


E, no meio desse espetáculo grandioso, um detalhe político ganhou manchetes:

o carro alegórico que homenageava Luiz Inácio Lula da Silva terminou em último lugar na disputa.


Último lugar na avenida.


E eu me pergunto — com respeito e inquietação:

por que aceitar ser exposto em ano eleitoral?


Vivemos tempos em que prosperidade anunciada vem acompanhada de receio.

Números positivos de uma gestão federativa não silenciam o barulho da oposição.

Há um ódio ruidoso, inflamado, que racha pulmões em bravatas.

Há quem queira transformar disputa política em guerra moral.


O homenageado da escola de Niterói — o nordestino que veio da terra do sol —

carrega junto com sua história o peso simbólico de representar o pobre, o trabalhador, os invisíveis de sempre.


Há quem não perdoe isso.


Mas o Carnaval não é tribunal.

É palco.


E palco é risco.

É aplauso e é vaia.

É primeiro lugar e é último.


Ainda assim, a pergunta ecoa em mim como tambor distante:

vale a pena se colocar no centro da alegoria quando o país respira eleição?


Eu creio nas articulações.

Mas creio também na força do ressentimento organizado.

Num Brasil dividido entre quem defende políticas de inclusão e quem as enxerga como ameaça.


O homem que já foi operário e presidente, que fala da fome como quem conhece o gosto amargo dela, torna-se símbolo.

E símbolo nunca passa despercebido.


Mas enquanto disputas se desenrolam na avenida, algo maior acontece:

o Brasil dança.


Dança porque sabe que nada seria sem a palavra.

Sem o professor que abre horizontes.

Sem a didática que ensina que cultura não é luxo — é fundamento.


Não só de pão vive o homem.

Vive também de samba.

De poesia.

De consciência.


O Carnaval passa.

Os números ficam.

As paixões inflamam.


E o Brasil segue — entre tamborins e debates — tentando aprender a conviver com suas próprias diferenças.


Porque festa popular também é espelho.

E, gostemos ou não do reflexo, ele mostra quem somos.


Nos siga no BlueSky AQUI.

Entre no nosso grupo de WhatsApp AQUI.

Entre no nosso grupo do Telegram AQUI.

 

Ajude a fortalecer nosso jornalismo independente contribuindo com a campanha 'Sou Daki e Apoio' de financiamento coletivo do Jornal Daki. Clique AQUI e contribua.


Mira Pimentel é cronista.


POLÍTICA

KOTIDIANO

CULTURA

TENDÊNCIAS
& DEBATES

telegram cor.png
bottom of page