'Parem o mundo, que eu quero descer'
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'Parem o mundo, que eu quero descer'


Rofa Rogério Araújo 


Mafalda/Reprodução
Mafalda/Reprodução

Os fãs de Mafalda, personagem dos quadrinhos argentinos, que comemoraram em 2025 seus 50 anos, sempre inspirou quadrinhos com sátiras sobre a vida cotidiana. Nos anos de 1960, uma garotinha de classe média de Buenos Aires, indignada com as notícias de violência e guerras, concentrada, disse: “Parem o mundo, que eu quero descer”.


Essa frase dita virou um verdadeiro meme nos dias atuais devido a loucura que o mundo apresenta, em todos os sentidos, para tudo qualquer lugar. Acontece cada coisa estranha que mais parece que estão todos surtados e candidatos a pacientes psiquiátricos.


Um dos maiores pensadores da Psicologia moderna, Carlos Jung, deixou essa afirmação: “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”. Parece uma frase simples, mas é poderosa, pois contém um significado profundo que nos leva a uma transformação na forma como nos vemos e interagimos com o mundo ao nosso redor, incluindo espaço e pessoas.


Algo parecido, disse Michel Foucault: “A psicologia nunca poderá dizer a verdade sobre a loucura, pois é a loucura que detém a verdade da psicologia”.  Imaginem só algo assim sobre ser louco com o que fazemos o pensamos. Ou como disse um adágio popular: “De médico e de louco todos temos um pouco”. 


Essa “loucura do mundo de hoje” pode ser interpretado como um sarcasmo sobre as tendências, valores e prioridades da sociedade contemporânea, pois muitas vezes parecem ilógicas ou irracionais. A expressão, também, pode se referir a uma percepção de que a sabedoria humana pode ser fútil ou enlouquecida, como até mesmo sugere a passagem bíblica de 1 Coríntios 3:19: “Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus”. Algo visto pelo divino sobre o humano tende a ser “loucura” da mesma forma que o tempo dele não é o nosso e pode ser vista da mesma forma como algo ilógico, sem sentidos ou não muito compreendido.  


Um ícone da MPB, Sílvio Brito, de 73 anos, lançou em 1976 uma música que, em sua letra, tinha como título justamente “Pare o Mundo Que Eu Quero Descer”. Num trecho, diz: “Que eu não aguento mais escovar os dentes com a boca cheia de fumaça, já há tantos anos e essas discussões de gêneros, ideologias, tá tudo errado... Mas se Deus quiser, será e com certeza tudo... Há de melhorar”. Parece que nada muda, tudo se confirma e piora cada vez mais. Uma loucura só!


Quando se fala “Parece que o mundo que eu quero descer” é como se ele vivesse em constante rodopio e não é de tudo uma doideira, mas uma realidade. Tudo acontece e mais parece um filme de ficção, mas não.


E em todas as áreas possíveis e impossíveis: ideologia, política, emocional, crimes, relacionamentos, frieza humana, religião... tudo parece uma coisa, mas tem fatos que transformam uma ideia impregnada em algo inimaginável e até mesmo picha um grupo até então com certo nome, em situação que pode ou deve ser generalizado.


A frase “Pare o mundo que eu quero descer” também é um verso da música “Eu Também Vou Reclamar” (1976), de Raul Seixas, uma sátira irônica às canções de protesto da época, especialmente a de Silvio Brito, citada acima. Raul usou uma linha para debochar da superficialidade do protesto, criticando a sociedade de consumo e a burocracia, ao mesmo tempo em que homenageava (e alfinetava) outros artistas como Belchior e Hermes Aquino, consolidando sua persona de “Maluco Beleza”. 


A frase, na voz de Raul, expressa um cansaço com a vida, mas de forma debochada, questionando o próprio ato de reclamação e a superficialidade das atitudes sociais, ao invés de um protesto engajado e sério, como visto em outros artistas. 


Parece algo semelhante ao que ocorre hoje ou não? Realmente o mundo não anda, capota e a cada momento parece que todos repetirão cada vez mais: “Pare o mundo, que eu quero descer!”.


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Rofa Araujo é jornalista, escritor (cronista, contista e poeta), mestre em Estudos Literários (UERJ), professor, palestrante, filósofo e teólogo. 

   


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