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Paulinho Freitas: um exemplo a seguir e se referenciar, por Oswaldo Mendes


Paulinho Freitas/Acervo pessoal

Paulo Vieira de Freitas, nascido em 28 de março de 1959 na Travessa Jaú, 154 – Bairro Paraíso – Cidade de São Gonçalo. Segundo filho de quatro irmãos. Sua convivência com a música começou muito cedo, seu pai ouvia muito rádio nos finais de semana, os vizinhos eram muito festeiros e os tempos eram de efervescência cultural.


Eram os festivais, o surgimento da bossa nova, Jovem Guarda etc... Aos dezoito anos ganhou um velho violão onde sozinho aprendeu um pouco desta arte. Tocava nas missas dominicais da Igreja de São José Operário e nas festas do padroeiro fazia parte do grupo musical Amostra Grátis, que integrava um grande sucesso na época.


Adepto da MPB participou de vários festivais no eixo Niterói-Rio-São Gonçalo, tendo muito aprendizado e destaque em alguns deles. Compôs diversos estilos, dentre eles a MPB, Gospel, Músicas Infantis e sambas. Trabalhou em diversos bares noturnos em São Gonçalo quando o violão e voz eram o sucesso da época. Participou do Grupo vocal Violões em Canto com Sérgio Quental, Jorge Soares, Marlon Borges e Sidinei Peixinho no início da década de 1990. Faziam apresentações nas escolas municipais de São Gonçalo, com muito sucesso.


O samba também está em sua vida desde a infância, gostava de assistir aos ensaios do B.C. Xavantes do Paraíso e muitos outros blocos do bairro assim como a lendária G.R.E.S. Poço do Anil além do inesquecível e de importantíssimas histórias do Compadre Osmar. Apreciava também o Boêmios da Madama e Unidos do Viradouro, mas só começou a levar a coisa a sério a partir de uma noite de terça feira de maio de 1997, levado por Zé Maria do Tigre e Junior Siqueira, ingressou na Ala de Compositores do G.R.E.S. Unidos do Porto da Pedra e assim virou Paulinho Freitas.


Naquela época a ala era presidida por Jorge Galocha e teve que levar currículo e fazer uma pequena prova de capacidade para entrar e nunca mais sair. Ganharam, juntamente com Jorge Remédio e Luiz Peçanha, o concurso de Sambas de Enredo para o carnaval de 2004 com o enredo “Sou Tigre, Sou Porto, da Pedra a Internet, Mensageiro da História do Leva e Traz”. Esse certamente foi o dia mais feliz de sua vida como compositor. Veja o compacto do desfile:

Os tempos mudaram e as disputas de samba se tornaram cruéis demais para os compositores, o talento somente já não basta e os “escritórios do samba” não param de se reinventar.


Considera, Paulinho Freitas, que, com os novos modelos de eliminatórias que estão chegando, exista a tendência e possibilidade de se melhorar e com isso também deve alterar o nível das composições, a volta de grandes compositores, a renovação de quadro de Compositores e assim o nascimento de outros grandes talentos do samba que façam a cultura carnavalesca continuar, renascer sempre.


Chegou à presidência da Ala dos Compositores da GRES Porto da Pedra e junto com seus companheiros fizeram vários festivais de samba de quadra. Criaram, sustentaram e iniciaram o projeto Feijoada da Família Tigre, com portões abertos e feijoada a preço de custo. Sempre homenageava uma personalidade do mundo do samba, que gentilmente não cobrava para se apresentar na querida “Paixão e Orgulho de São Gonçalo”.


A Ala de compositores da Porto da Pedra teve a honra de receber para apresentações de bambas como Monarco, Rubem Confete, Luiz Carlos da Vila, Djalma Sabiá do Salgueiro, Zé Catimba e muitos outros. O evento cresceu muito, foi considerada uma das melhores feijoadas do Mundo do Samba pela mídia escrita, falada e televisiva e posteriormente a escola o assumiu.


Em 2007/2008 ingressou no Movimento de Compositores Samba na Fonte da Pedra do Sal, no Rio de Janeiro, onde compositores mostravam suas obras cantando na palma da mão, naquela época, sem microfone, com cavaquinho, violão e percussão, ou seja, Samba Raiz. Nesta localidade sempre foi ponto de referência e assim frequentado por grandes bambas como Ivan Milanez, Vantuir Cardeal, Ismael Veiga, Nier Ribeiro, Raul de Caprio, Ferreira meu Bom, Paulinho de Brito, Baez e muitos outros.


Descobriu que tudo aquilo era sua vida. Gravou dois DVDs, chamados de bate bola 01 e 02, porém, era dispendioso atravessar a Baía de Guanabara toda semana e junto com Elmo Borges. Tiveram assim a ideia e necessidade de fundar o Porto do Samba, o qual era uma confraria de artistas, principalmente da música, onde se reuniu por muito tempo compositores gonçalenses como Cláudio Luzmar, Jorge Padeiro, Nier Ribeiro, Cezinha do Banjo, Japona, Felipe Filósofo, Bené do Cavaco, Carlos Barboza, Declá, Sandro Silva, Preto Queiroz, Adriana Duarte e muitos outros de igual valor e competência.


Para esse projeto, também dois DVds. Tem como questão pessoal de jamais apresentar um samba nas redes sociais ou em outros meios de comunicação sem antes passar pelo crivo de alguns amigos, que sabe ele, que farão a crítica construtiva, dentre eles o Eric Costa e Prof. Zé Ricardo, os quais considera que são dois grandes poetas, e assim faz a questão de mostrar.

Fez também parte de outro projeto chamado de Voz do Autor, fundado por Murilo Peres, nos mesmos moldes do Porto do Samba, porém, voltado para a MPB. Veja, uma apresentação:



Durante 15 anos colaborou no projeto Escola de Circo Crescer e Viver, fundado dentro do G.R.E.S. Unidos do Porto da Pedra, isto a partir do ano 2000 e já em 2004 funcionava a pleno vapor na Cidade Nova – Rio de Janeiro - atuando na formação cidadã e circense de crianças, jovens e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.


Muita gente considera, até mesmo por desconhecimento, que o carnaval acaba na terça-feira, mas aí as Escolas de Sambas têm seu importante papel social, o qual não tem, muitas vezes, espaço na mídia para se propagar as realizações.


O Papel das Escolas de Sambas vai muito além do repicar de um tamborim. Em silêncio, mas com profundos e reais resultados sociais.


Atualmente encontra-se empossado como diretor cultural do G.R.E.S. Unidos do Porto da Pedra e vice-presidente da Ala de Compositores, a qual tem o confrade Fernando Macaco como presidente.


O artista ainda tem quatro livros escritos, sendo um infantil, dois de crônicas - com muitas histórias das disputas e desfiles da querida Porto da Pedra e outro de poesia.


Pretende começar a editá-los no próximo ano, assim como tem como projeto gravar músicas e sambas.


Não para por aí. Com tempo mais elástico e, junto com seus companheiros de ala, pretende retomar o projeto de sambas inéditos e inserir novos projetos na rua. “Tem uma garotada chegando com a caneta afiada e outros poetas mais cascudos que não foram ainda descobertos pela grande mídia, nosso papel é mostrá-los através desses projetos”.


Nota-se que esses projetos idealizados e colocados em práticas podem ser alavancados, porém, a dificuldade de se colocar a Cultura como necessidade apresenta muita resistência e preconceito dentro da cidade.


Esse é o Paulinho Freitas com sua visão crítica, ampla, desnuda de preconceitos e sua linda história.

Oswaldo Mendes é engenheiro.




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