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Resultado eleitoral abre guerra interna no PSOL

há 1 dia
2 min de leitura

Grupo de Erika Hilton cobra direção após federação PSOL-Rede não superar cláusula de barreira; decisão de rejeitar união com PT volta ao centro da disputa


Erika Hilton e Guilherme Boulos integraram o campo que defendia uma federação mais ampla com o PT; após a PSOL-Rede não superar a cláusula de barreira, o resultado reacendeu a disputa entre as correntes do partido.
Erika Hilton e Guilherme Boulos integraram o campo que defendia uma federação mais ampla com o PT; após a PSOL-Rede não superar a cláusula de barreira, o resultado reacendeu a disputa entre as correntes do partido.


O resultado das urnas abriu uma guerra que vinha sendo ensaiada havia meses dentro do PSOL. A Federação PSOL-Rede não conseguiu superar a cláusula de desempenho de 2026 e ficará sem acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão. O revés colocou frente a frente as correntes que, no início do ano, divergiram sobre uma federação mais ampla com PT, PCdoB e PV.


Guilherme Boulos e Erika Hilton estavam entre os defensores da união. O argumento era também eleitoral: numa federação com o PT, o PSOL eliminaria o risco de não alcançar a cláusula de barreira. A proposta foi derrotada em março, e o partido decidiu permanecer federado à Rede. Movimento Esquerda Socialista (MES) e Primavera Socialista estiveram entre os grupos contrários à composição com os petistas.


A aposta agora voltou para a mesa. Antes da eleição, a Primavera Socialista reconhecia a cláusula como um desafio, mas sustentava que existiam “bases políticas concretas” para superá-la mantendo a federação PSOL-Rede. O próprio Diretório Nacional colocou o cumprimento da cláusula entre as prioridades eleitorais de 2026.


Reeleita com mais de 1,58 milhão de votos, Erika Hilton passou a cobrar publicamente a direção. A deputada afirma que recursos foram destinados a candidaturas com “pouco potencial”, enquanto nomes competitivos não receberam investimentos proporcionais à tarefa de ampliar a bancada. A disputa pela distribuição do fundo eleitoral já havia provocado um racha em junho.


São Paulo virou exemplo do problema. Erika e Sâmia Bomfim, que recebeu cerca de 583 mil votos, concentraram grande votação, mas outros integrantes da chapa não alcançaram o desempenho individual necessário. Com isso, votos suficientes para gerar mais cadeiras não se converteram integralmente em mandatos.


A derrota na cláusula de barreira, portanto, vai além da perda de recursos e tempo de propaganda. Ela reabre uma discussão que o PSOL decidiu em março: se preservar sua autonomia em relação ao PT compensava o risco eleitoral que agora se concretizou.


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