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A quem interessa a mentira? Por Oswaldo Mendes


Mentira nem sempre é o oposto da verdade.

Há mentiras e mentiras. Algumas criadas para interesse próprio ou de um grupo, mantido e disseminado por terceiros, as quais passam a ser a sua verdade. Esses são os denominados “agentes de boa-fé”.

Vamos exemplificar.

Idos do período colonial brasileiro. Ainda não tinham sido destruídas as florestas para a implementação de soja ou gado. Havia dois grupos específicos: o pessoal da Casa Grande e o pessoal da Senzala. Aqueles que serviam à Casa Grande, muitas vezes para manter algumas vantagens pessoais, faziam qualquer coisa, daí, surgiram os carrascos ou Capitães do Mato.

Numa época com muita fruta e pouco gado - leia-se leite, a nesciência poderia ajudar aos interesses daqueles que esperavam que o mesmo viesse em quantidade suficiente para todos os seus anseios e como assim poderia acontecer? Criando uma mentira que depois de espalhada e contada muitas vezes se tornaria uma verdade para muitos, reduzindo assim o consumo de terceiros e atingindo seus objetivos. O atualmente denominado FAKE NEWS. Assim apareceu o mito que o leite consumido junto com manga envenenava.


Para informar aos mais novos, esta mentira permaneceu como verdade até idos de anos 90 do século passado. Os pais advertiam os filhos para que nunca consumissem manga, após terem bebido leite, produto muito raro em subúrbios até o fim do regime militar.

Notem que para os pais essa matéria era verdade, mas para o dono do gado, era interesse. Porém, veio a expansão de mercado, com pastos invadindo às florestas e, assim, com a necessidade de mais consumidores, logicamente, essa mentira até então contada, não era mais interessante.

Há pessoas que bradam que tem a verdade única e isso é verídico, pois cada um tem a sua verdade.


A verdade é proporcional ao conhecimento e caráter de cada um.


A mentira(Fake News) precisa de um criador de veículos que a espalhe e de quem acredite nela.


Assim, acreditamos que a mentira existe por interesses e pelo desconhecimento(néscios).


Que tipo de interesses poderiam existir para a criação de uma mentira? Poder, por exemplo.


E o que leva ao Poder? Dinheiro, política, Cultura, Ensino formal, habilidades pessoais destacadas, dentre outros.


Notem que, muitos jovens suburbanos buscam e veem o futebol e suas habilidades pessoais como a saída dos problemas; outros, a Cultura e, ainda outros grupos, a política que, inicialmente, buscam alcançar o dinheiro para, finalmente, terem acesso a outros componentes do Poder.



Um exemplo e exemplificação interessante tivemos com a magnífica e doída explicação de uma autoridade policial, quando perguntada sobre como ela era vista pela sociedade ao que ela respondeu de forma simples: “Eu, como Delegada, as pessoas têm, em relação a mim, o medo, mas, respeito, tem ao Médico, ao Professor, a Enfermeira”. Uma diferença singela de grupos sociais que têm componentes do Poder.


Há uma frase que se diz que pertence ao saudoso Grande Otelo: “Depois que ganhei dinheiro deixei de ser preto”.


Para a política, também temos esse mesmo modelo utilizado. Notemos que o político discursa ou sempre discursou com as temáticas que seu público alvo quer ouvir. Os Cientistas Sociais sabiam desse detalhe e, antes do discurso, levantavam os anseios e as necessidades da população para que o interlocutor, assim, as proferissem.


Temos, para exemplificar, compromissos de campanhas como “acabar com a violência em seis meses”; a “passagem de ônibus a R$1,50” ou mais próximos da nossa realidade que iria solucionar o problema da saúde. Os fins e meios, de Machiavel. Uma aposta que pode ser vencedora ou não tanto. Promessas de campanha.


Com uma massa cada vez maior se relacionando através das mídias sociais, os locais onde as pessoas acessavam, eram recolhidos e, através de estudos montados, um perfil de cada um. Isso mesmo. Cada um tem seu perfil muito bem mapeado na internet, sabendo de detalhes que nem mesmo a pessoa sabe, pois muitas vezes essas vontades estão interiorizadas.



Uma pessoa busca diariamente notícias na parte de esporte e nas páginas policiais pode ser um perfil preocupado com a violência. Já outra pessoa busca novelas, páginas de relacionamento de pessoas solteiras, assim como os locais que frequenta fisicamente até mesmo o que fala próximo ao celular são informações devidamente cadastradas e guardadas, estruturando, assim, seu perfil. E viva o FaceBook.


Era uma campo completamente novo e assim sem regramentos. Esses dados pessoais com os mais diversos dados e necessidades pessoais nas mãos de terceiros. Aí apareceu alguém que começou a utilizar esses dados inicialmente para o comércio. Note quando você procura um produto qualquer na internet seu telefone é invadido de propaganda daquele produto ou similares.


Há toda uma estrutura montada para tal e dentre um dos principais pontos e que as pessoas não possam refletir sobre temas e assim os textos são extremamente pequenos, diretos e emotivos. “Textôes” os jovens, público alvo em foco no momento, não mais leem. Acima de dezesseis palavras o jovem considera que ele perde tempo. Assim não se consegue mais concatenar idéias, muito menos expressá-las. Lembram do “Gorila Treinado” citado no livro denominado “Princípio da Administração Científica”, por Frederick W. Taylor? “Você não é pago para pensar” mudou para “Você não vive para pensar”.


Lembremos agora das fontes de Poder. Tem-se o segmento da política e dados pessoais com as necessidades das pessoas que já estavam devidamente cadastradas. Lembremos agora do leite e da manga. A verdade é proporcional ao conhecimento de cada um. Sem pensar, sem criticidade, a verdade é extremamente dependente de terceiros, o qual pode manipular a quem esteja sobre sua cobertura.



A regulamentação deste mercado se faz necessária, assim como a reação das pessoas de forma inteligente a qual tem-se como uma das estratégias a desqualificação dos agentes monetários que atuam nesses campos, pois ninguém quer financiar uma empresa que polui, mata, que desmata, que trafica, que desvia verbas de forma direta ou indireta. Os acionistas não querem seus nomes relacionados a esse tipo de negócio.

Quem esclarece à população sobre essas mentiras - Fake News? Os céticos, a imprensa, os Pesquisadores - denominados popularmente de Cientistas, os Professores, os Agentes Culturais. E como os Autores de Fake News reagem? Tentando desqualificar, eliminar a quem é considerado inimigo dos seus objetivos.


Citamos, há poucos dias, em outro artigo, sobre o caso do carnaval, o qual está sempre sob ataque. Anteriormente, diziam que não iriam fazê-lo para comprar melhores merendas e fazer hospitais - o que não aconteceu - e, atualmente, os mesmos que eram contra a vacinação, não conseguem ver as igrejas, estádios, shows gospel, praias, ônibus e transportes, todos lotados, mas, é o carnaval que trará o evento dos últimos dias espalhando o vírus mortal para todos e todas.

“Para que(m) serve seu conhecimento?”


E aí, qual a sua verdade?

Oswaldo Mendes é engenheiro e sambista, não necessariamente nessa ordem.