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Depois da sexta-feira

Por D.Freitas

Foto: Reprodução



Mais anéis do que dedos para usá-los era a marca registrada de Mike B.King, que dizia que por sua boca nunca desceria algo que não fosse um Martini no copo "sem inventar de pôr azeitonas" e nunca na taça. O copo engordurado e recém habitado pelos primeiros fungos intrometidos contrastavam com o brilho que pesava seus dedos, seu pulso e quando ia até sua boca, contrastava até mesmo com os colares que adornavam seu pescoço. Nunca apenas um. 


Esse era Mike B.King, nunca falou alto demais, mas sempre era feito silêncio quando sua língua iria desenrolar em suas histórias nas ruas do Brooklin. Éramos como crianças vendo nosso herói. 


Quando chegava ao fim de suas exatas três doses semanais, ele virava o copo ao contrário no bar e deixava uma nota de cinquenta reais sobre a bancada. Nos cumprimentava na saída apoiando seus dedos na ponta de seu chapéu circular, chacoalhava seu relógio no braço esquerdo e sempre era a hora exata de partir. 



As ruas o tomavam porque ele pertencia a elas, 

As ruas o chamavam por que dele respiravam a essência, 

eram como um. 


Esse era Mike B.King, o rei das ruas e o contador de histórias...


De segunda à sexta conhecido como Seu Izildo, o barbeiro-psicólogo que nunca foi de falar demais, mas sempre soube como ouvir.


Todos nós costumamos tirar nossa fantasia nos finais de semana ou no carnaval. 


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Davi Freitas (D.Freitas) nasceu em São Gonçalo, cria da cultura gonçalense, desde sempre conviveu com músicos, poetas e escritores. autodidata, aprendeu violão e bateria sozinho e junto com o irmão Lucas Freitas fez algumas apresentações até ter, por motivos profissionais, que mudar de estado. Como escritor, participou, pela Editora Apologia Brasil da Antologia em Tempos Pandêmicos e inicia agora sua trajetória no mundo das crônicas e contos. 


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