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Dia do Meio Ambiente: Uma data para se esquecer!

Por Oswaldo Mendes


Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

De nada adiantou os estudos, apelos e informações sobre a necessidade de mantermos um Meio Ambiente saudável para as gerações futuras. Ninguém ouviu!

           

Um textão. O jovem não mais lê, nem interpreta textos, logo, talvez tenha muita dificuldade no futuro, caso ele exista.

           

Indira Ghandy em seu discurso em 05 de junho de 1972 alertava, na Conferência de Estocolmo, sobre as questões ambientais.

           

Após vinte anos, no Brasil, especificamente no Rio de Janeiro, acontece a ECO 92. O Mundo olhando para o Brasil, assinando acordos sobre o clima para aparecer na mídia. Nada ou quase nada foi efetivamente cumprido.

           

Se os insumos são finitos e um guarda para si milhares de toneladas, consequentemente, vai faltar para o outro. Escassez é sinônimo de lucro para alguns e outros são números.

           

Aí vem a definição de Desenvolvimento Sustentável, que na própria ECO 92 ficou acordado que necessitava de acertos. Sopinha de letras! Sustentabilidade, GRI, ODM-8 e outros, mas ficou no discurso até hoje.


Discurso do Ator. Em frente às mídias todos eram a favor do Meio Ambiente, mas seus atos mostraram o contrário.


Chegamos ao evento do Rio Grande do Sul, onde choveu em uma semana o volume de 1000 milímetros por centímetro cúbico, ou seja, caso para a “Arca de Noé” como uber. O novo normal.


Conhecer globalmente, mas agir localmente. Vamos a uma inserção local.

Perdemos muito, seja como cidadãos ou Sociedade, e triste é que não há indicadores de alterações, mudanças.



A Lagoa do Boassu desapareceu, assim como todo o Manguezal que se tinha parelelo ao que é hoje a Niterói-Manilha.


A cidade cresceu de cem mil pessoas para um milhão e cem mil pessoas. Com a má qualidade de vida, violência, saneamento inexistente, os mesmos que destroem procuram outro local para manter a sua saga.


Uma fuga de quase cem mil pessoas de São Gonçalo com moradia preferencialmente na Região Oceânica ou Região dos Lagos.


Lembram-se do “Brasil. Ame-o ou deixe-o”. Anos de chumbo. A agressão ao Meio Ambiente também expulsa pessoas. São Gonçalo atualmente sofre com isso: fugir em face de má-gestão da cidade.


Relembro que a Lagoa de Araruama, que já foi a queridinha da dita Classe Média, isto nos finais dos anos 70/80, também foi abandonada por essa mesma Classe Média, após tornarem a citada laguna em privada a céu aberto.


Como citei a questão da privada a céu aberto, lembrei-me, imediatamente, da Baía de Guanabara e o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara. Empréstimo a juros com prazos extremamente exíguos e multas gigantescas, em caso de não cumprimento. Muito dinheiro. Dívida contraída. Consultorias e nada de efetivo aconteceu. Isto foi no final dos anos 90 (PDBG).


A UERJ promoveu uma pós-graduação lato sensu de Educação para Gestão Ambiental, com corpo técnico e Professores de nível internacional: Saudoso Professor Elmo Amador, Claudio Mahler, Elza e outros. Formaram mais de seiscentos especialistas trabalhando cada um, ou em equipe, num rio de uma cidade o qual desembocasse na Baía. Trabalhei, à época, no Rio Imboassu (Grande Cobra d’Água em Tupi).


Boas pesquisas sobre o Caceribu, Estrela, Bomba, Macacu,  Iguá, Alcântara, Brandoas e Rio Vicência pode ser lida na biblioteca da UERJ.

Na cidade a questão do Meio Ambiente foi muito usada como obrigatoriedade para receber verbas ou trampolim.


O único plantio(reflorestamento) que se tem é numa área particular da Igreja Matriz. A população pede diariamente que se corte as poucas árvores que sobraram e a empresa de energia elétrica o faz, com muita competência, o gosto da população. Ilha de Itaóca ou a expansão da APA do Engenho Pequeno: Aplaudam o MPE e alguns funcionários de carreira.


A ânsia de não se colocar mais o pé na lama, nos levou a impermeabilizar todo o solo. Seja nas ruas ou quintais. Ver o chão é sinônimo de pobreza, então lá se coloca um piso escorregadio para quedas. Impermeabilização total das ruas e do cérebro. O solo não mais respira nem drena. Os políticos não fizeram obras debaixo da terra. A causa e o efeito: alagamentos.


Queimadas acontecem sempre que fica alguns dias sem chover. A população adora, tanto que esta prática acontece a, no mínimo, seis décadas. Os hospitais enchem de idosos e crianças com problemas relacionadas a poluição do ar. E a população rindo dos morros ardendo em brasa. A vertente transversal dos Parâmetros Curriculares Nacional e a Educação Ambiental como solução deveria ser adotada. Deveria!


Plantar na cidade? Perguntem aos integrantes do “Grupo São Gonçalo Mais Verde” como são tratados. A maioria já desistiu! Quem já viu alguém plantando árvores nos últimos anos? Agora se perguntar cortando árvores sobre inclusive a desculpa de embelezar a cidade. A desculpa é que “a árvore coloca fogo no fio”, mas o cabeamento não foi instalado erradamente ou pode mudar?


As poucas árvores que existiam na cidade foram plantadas nos idos de 2010 a 2014. Os últimos governos desapareceram com elas. Cidade sem cobertura vegetal. Lembramos que este ato, que foi apoiado pelo Povo, é reflexo de uma população que tem ódio ao Meio Ambiente.


Colocaram um shopping em cima de um córrego. Desviaram cursos de rios. Retilinizaram rios, reduzindo o coeficiente de rugosidade e aumentando assim a energia cinética. Milhões e milhões de recursos. Como a cereja do bolo, colocaram asfalto em ruas que eram calçadas com paralelepípedo, foram eleitos ou reeleitos, mas “esqueceram” de trocar as vias de escoamento. Obras debaixo da terra não dá voto!


Um dia eu escrevo sobre o canal extravasor na Jurumenha e seus efeitos.

Onde não enchia, virou lago. Agora não mais se pisa no barro, mas como a cidade não trata suas fezes que são jogadas nos rios, atualmente a qualquer momento um mar de esgoto está dentro dos lares de quintais impermeabilizados. Leptospirose, hepatite e outros.


Uma cidade sem calçadas, sem o direito de ir e vir. Acessibilidade não é respeitada.

Desmatamento reflete em assoreamento, o qual tem dragagem contínua e aumento da temperatura local, assim, um gênio ($$$$) dá a ideia de canalizar o corpo hídrico (ou um canal extravasor), aumentando a velocidade da água, passando assim de alagamento para arraste.


O preço do lucro chega a tal ponto que inverteram a direção do fluxo do Rio Salgueiro, que causava gigantescos problemas à população.


Estrada do COMPERJ. Evito até falar com relação a toda problemática trazida por essa via. Pena que as pessoas não leem o que as Autoridades assinam.


A coisa está tão ruim que as pessoas têm medo de retornar pra cidade num dia qualquer de chuva. Isso era inexistente há dez anos. Piorou muito. Já foram apresentados projetos para melhoria, dentre eles, inclusive pela Associação de Moradores de Neves e a UFF, mas nem retorno houve. Outro também do Rio Marimbondo, etc.


Em frente ao 3BI, Covanca, Barro Vermelho (Rua Primeiro de Maio) vira cachoeiras de fezes, Neves, Gradim – Rio Marimbondo é triste, Zé Garoto, Boassu nem se fala, Santa Catarina, Jardim Catarina, Ipuca, Alcantara, Salgueiro, Colubandê, Santa Izabel e os abandonados de Itaitindiba. Doenças, mortes e perdas materiais se acumulam.


Cem mil já abandonaram a cidade. Bairros começam a ter indícios de abandono, de vazio, com a queda do preço dos imóveis. Violência, poluição, falta de área de lazer, trânsito caótico (não se tem nem uma onda verde na cidade), mais uma vez a promessa da Linha 3; barricadas, barricadas, quebra-molas sem qualquer planejamento, sem sinalização horizontal e vertical em todas as mais de cinco mil e oitocentas ruas, barricadas, barricadas....


Não há um projeto para o futuro. Não há uma fonte de novidades. Permanecer no erro e desfrutar o que se tem. O triste é quando falta capacidade técnica para mudar. Simplesmente não conhece. Não é usando as mesmas técnicas de Lavoura que a cidade vai melhorar.


A cidade sempre busca por um salvador que sabendo disso faz propostas populistas. Tarzan não vai salvar África – modelo americano. Uma pessoa é impossível fazer tudo. Tem que mudar para um projeto. Olhem para as cidades em nosso redor e concluam.


O esgoto de Paquetá é tratado na Praia das Pedrinha e não há ligação entre a ETE - Estação de Tratamento de Esgoto da Praia das Pedrinhas com o esgoto da comunidade que fica há quinhentos metros e assim é jogada no mar e vira piada sarcástica.


Tentem achar, por exemplo, o Certificado de Aprovação do Corpo de Bombeiros da Maternidade, do Pronto Socorro, de qualquer Posto de Saúde, Escola ou Creche. Atenção! É documento obrigatório conforme legislação vigente: Decreto 42/2018 do Governo do Estado do Rio. Aqui é o caos! Imaginem se eu pedir um PAE – Plano de Ação em Emergência qual será a resposta!


A cidade sequer tem um Plano Diretor, desde 2018. “Quem não sabe aonde vai, qualquer caminho serve!”.


Nada mudará sem uma consciência maior da população – a qual refuta o que a Indira declamou há cinquenta e dois anos. O político é reflexo da Sociedade. Agora é se deliciar com o caos e escutar desculpas esfarrapadas, cada uma a seu gosto.


São Gonçalo: Ou muda ou acaba!         


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Oswaldo Mendes é sambista e engenheiro.