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Filhos de diplomatas relatam medo de reencontrar PMs

Denúncia de racismo em abordagem da PM no Rio: jovens evitam sair às ruas com medo de encontrar novamente viatura

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação


Os quatro adolescentes, com idades entre 13 e 14 anos, que teriam sido vítimas de racismo ao serem abordados de forma truculenta pela Polícia Militar, em Ipanema, na Zona Sul do Rio, na última quarta-feira, estão traumatizados e com medo de sair às ruas com a possibilidade de voltar a encontrar uma viatura da PM. É o que diz um trecho de um ofício assinado pela deputada Dani Monteiro, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (CDDHC) da Assembleia Legislativa do Rio (AlerJ), endereçado ao comando da tropa.


O documento cobra, entre outras coisas, a abertura de procedimento disciplinar e o motivo da abordagem. A correspondência também informa que os meninos disseram, ao serem ouvidos por membros da comissão, nesta sexta-feira, terem sido ameaçados de passar por um episódio ainda mais violento. 



Dos quatro jovens, três deles são negros e filhos de diplomatas de países como Canadá, Gabão e Burkina Faso. O quarto é brasileiro e morador de Brasília.  Eles estão de férias no Rio e haviam chegado nesta quarta-feira. A abordagem aconteceu quando os garotos tentavam entrar em um prédio, na Rua Prudente de Moares, para deixar um amigo. " Os jovens encontram-se profundamente traumatizados com o episódio que pode se desdobrar em rupturas significativas em suas subjetividades.  Estão evitando sair às ruas, temendo se depararem com viaturas da Polícia Militar e o episódio se repetir, sobretudo por terem sido ameaçados de passarem por um episódio ainda mais violento", diz um trecho do documento, assinado pela parlamentar.



O ofício diz que os meninos contaram ter sido abordados pelos agentes armados. E que teriam sido obrigados a levantar as partes íntimas para uma revista em busca de drogas. " Segundo os jovens, os agentes com suas armas em punho, colocando-as próximas dos rostos dos adolescentes, perguntando o tempo todo, “cadê” “cadê”? Os meninos, sem entenderem o que estava acontecia, por óbvio, não responderam à pergunta. O que teria irritado ainda mais os policiais, que teriam feito os rapazes levantar suas partes íntimas, numa revista vexatória em busca de entorpecentes. Frustradas as buscas, policiais ainda disseram aos jovens que da próxima vez seria pior, de acordo com relato dos mesmos", diz outro trecho do documento.


Além da CDDHC, o Itamaraty também acompanha o caso. Em nota, o órgão afirmou que "busca averiguar as circunstâncias do ocorrido, para eventual tomada de providências". 


*Com informações O Globo


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