O pêndulo da política e a maré vazante da extrema direita
- Jornal Daki
- há 1 minuto
- 2 min de leitura
Por Helcio Albano

O movimento político é pendular. E cada país e localidades com suas singularidades. A história do Brasil desde o século XX segue o mesmo roteiro: quando um espectro político-ideológico se agiganta e ameaça tornar-se hegemônico, o seu oposto reage, faz barulho, até tomar o poder. Nem que seja de forma violenta.
Como já aconteceu pelo menos 3 vezes, nas quedas do Império, da República Velha e de João Goulart, quando os militares ascenderam com o Golpe de 1964. Da ressaca autoritária vieram a Nova República e a democracia. Uma constituição e as regras de disputa desses campos políticos via eleições regulares. Um avanço civilizatório em si que não admite - ou não devia admitir - retrocessos.
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Mas a história não é linear. Às vezes cíclica, concomitante à pendularidade política onde os campos em disputa buscam a mesma coisa: poder e continuidade. Sempre sonhando ter hegemonia na sociedade. Seja por consenso material e ideológico, ou na marra. E essas tensões se acirram ainda mais em tempos de crises econômicas que aprofundam o desgaste institucional e, por óbvio, de representatividade.
Eis aí a ciranda entre esquerda e direita que deixaram de cirandar em 2014, que deu na tragédia Bolsonaro em 2018 e no assanhamento da extrema direita. Que até hoje tenta arrancar a bola do pêndulo e congelar o tempo da política. E, num passe de mágica, os conflitos. Paradoxalmente acirrando-os ainda mais.
Hoje, a maré de ódio e estupidez é vazante. E o pêndulo refaz sua trajetória ao centro e, logo adiante, à esquerda. Assim é a História.
Plus O retorno ao centro é uma possibilidade histórica concreta, mas perigosa. Se as instituições se mantiverem inertes, incapazes de endereçar as contradições que permitiram a ascensão do extremismo, o pêndulo não garantirá o equilíbrio; ele poderá, pelo contrário, pavimentar o caminho para a ruína institucional definitiva.
Bônus
E aí, o retorno da besta ainda mais furiosa.
Ou uma revolução.
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Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.












































