Governo Nelson silencia sobre as 'barricadas' de Niterói

Vereador Romario Regis (PCdoB) foi a um dos pontos de contenção e considerou a barreira ineficiente "e só atrapalhou o Gonçalense que queria trabalhar"


Por Cláudio Figueiras

Os vereadores Romario Regis e Walkiria Nictheroy acompanham a operação na descida da Av. Contorno/Foto: Divulgação
Os vereadores Romario Regis e Walkiria Nictheroy acompanham a operação na descida da Av. Contorno/Foto: Divulgação

Silêncio. Assim se mantém o governo Nelson Ruas (PL) desde que o vizinho Axel Grael (PDT) anunciou nesta segunda (12) a instalação de barreiras sanitárias nas divisas entre São Gonçalo e Niterói como forma de conter a propagação de coronavírus.


As barreiras entre as duas cidades, apelidadas de "barricadas do Grael" nas redes sociais, foram erguidas hoje (14) por agentes da Secretaria de Ordem Pública às seis da manhã, causando engarrafamento de mais de 10 km na BR-101 sentido Rio, além de ter trazido sérios transtornos a quem seguia para o trabalho. Todos os motoristas eram obrigados a parar e medir a temperatura para seguir viagem.


O vereador gonçalense Romario Regis (PCdoB), que acompanhou nesta manhã a instalação de uma barreira na descida da Av. Contorno, não gostou do que viu.


No início da tarde, o parlamentar foi recebido pelo secretário de Ordem Pública responsável pela operação, Paulo Henrique, que disse que a Prefeitura seguirá com a medida até conseguir diminuir o número de leitos de covid ocupados na cidade:


- Essa barreira, do jeito que foi pensada, é ineficiente e só atrapalhou o Gonçalense que queria trabalhar. Respeito a posição de Niterói em buscar a proteção dos seus, mas isso não pode ser em detrimento de prejudicar os meus - disse Romario, acompanhado da vereadora e companheira de partido, Walkiria Nictheroy. O parlamentar anunciou uma reunião com o prefeito e seu vice, Paulo Bagueira, nesta quinta para debaterem o assunto.

O recrudescimento da pandemia está pressionando o sistema de saúde da região metropolitana, que há 15 dias opera com ocupação próxima de 100% dos leitos destinados para pacientes com covid-19.


A criação das barreiras, segundo o prefeito Axel Grael, foi necessária porque cidades vizinhas, principalmente São Gonçalo, não estão implementando medidas restritivas suficientes para frear o avanço da pandemia. Pelo menos 20% dos leitos de Niterói são ocupados por pacientes que vêm de São Gonçalo.


Um levantamento do Monitora Covid-19, iniciativa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que desde março de 2020, Niterói teve mais de 37% de seus leitos ocupados por pacientes de outros municípios, contaminados com a doença. Nas internações em UTI, esse número chega a quase 40%.


A Prefeitura de São Gonçalo, em nota ao Daki, disse que não comenta medidas adotadas por outros municípios. Mas observou que "medidas extremas como lockdown e barreiras sanitárias nunca são boas para a população porém são previstas em protocolos de saúde, cabe o gestor avaliar sua real necessidade".


Matéria atualizada às 12h04 em 15/04/21.






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