top of page

Rita Lee, a Rainha do Rock

Por Marcelo Gonzales*

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Pura ironia do destino, em meio a tantas atribulações de um dia tenso, recebo a notícia da morte de Rita Lee e venho ao computador para redigir estas linhas que já estava temendo ter que escrever em dias próximos...


Estrear aqui, nesse veículo de comunicação, tendo como tema da minha primeira matéria a morte de Rita Lee me traz um sentimento ambíguo e confuso na alegria e na tristeza, tanto quanto foi a personalidade da própria.


Persuasiva, inteligente, real, enfática, exagerada, cuidadosa, enérgica, sincera, exuberante, luxuosa, hippie, punk, heavy, soul, rainha, mãe, filha, ovelha negra, destaque, perseguida, injustiçada e justiceira. Rita Lee Jones, única.



Na sua segunda autobiografia, que está sendo lançada nesse momento, logo logo todos terão acesso, ela nos conta: “Falando em música, no meio do meu turbilhão de memória, lembrei que escrevi a letra de Balada do Louco no feminino, mas tive que mudar para o masculino para um dos ‘mano’ mutante cantar, tinha um pedaço que dizia: “Se elas são bonitas sou Brigitte Bardot, se elas são famosas sou ‘Luz del Fuegô’, assim mesmo com um acento circunflexo para rimar, mas louca é quem me diz e não é feliz!”


Rita Lee nos deixa um legado imenso em sua trajetória. Ler sua autobiografia é viajar na história contada por ela mesma de uma maneira real e irreverente.


Contagiante.



Suas influências são imensas para todos os que beberam da água da Rita Lee. Suas letras inovadoras e ousadas, com pitadas de assuntos nunca antes cantado por mulheres desbravou um caminho e abriu portas para muitas artistas.


Suas falas, deboches e opiniões contaram muito e valerão muito para os que virão a conhecê-la como influência.


Como diz o e-mail que recebi de sua assessoria de imprensa, o falecimento de Rita Lee, aconteceu no final da noite de ontem, cercada de todo o amor de sua família, em sua residência, em São Paulo, capital.


O velório será aberto ao público, no Planetário do Parque do Ibirapuera, na quarta-feira, dia 10 das 10h às 17h.



De acordo com a vontade da Rita, seu corpo será cremado. A cerimônia será particular.

E eu guardo com muito carinho o dia em que conversei com a Rita, ao final de um show, quando ela estava em turnê pelo lançamento do disco Rita Lee em Bossa’n’Roll ao Vivo, quando, muito timidamente eu fui ao camarim pedir para ela não ficar somente na Bossa, voltar logo para o Rock, ela me olhou, sorriu e disse: “Orra Meu, é só o disco! Sou do Rock!”


Sou imensamente grato a Deus por ter tido acesso a essa obra tão imensa no cenário musical.

Rita Lee, a Rainha do Rock. Te amo!


***

Nota do Jornal Daki: Mesmo em momento de grande tristeza, seja bem-vindo, Marcelo. Os leitores só ganham e nós agradecemos a colaboração.


Entre no nosso grupo de WhatsApp AQUI.

Entre no nosso grupo do Telegram AQUI.

 

Ajude a fortalecer nosso jornalismo independente contribuindo com a campanha 'Sou Daki e Apoio' de financiamento coletivo do Jornal Daki. Clique AQUI e contribua

*Marcelo Gonzales é colecionador de discos de vinil, curador e pesquisador musical. Siga: @celogonzales