Ah! O amor!
- Jornal Daki
- há 10 minutos
- 3 min de leitura
SÃO GONÇALO DE AFETOS
Por Paulinho Freitas

O amor não se cansa de dar prova de que é cura para todos os males. O amor é o maior guerreiro de que se tem notícias. Ele, vence qualquer guerra.
São Gonçalo de Afetos vai, através das lentes do amor, buscar histórias, que vão nos emocionar e provar, que para tudo que não tem jeito, o único jeito é amar.
Roberto Titico tinha a cor da noite na pele e o azul do céu nos olhos, herança dos avós, um português e uma afro-brasileira, nascida Cambinda, mas filha de um brasileiro, que foi parar na África não se sabe como e acabou se apaixonando pelo lugar, pelas pessoas e ficando por lá. Sua sua avó, depois do falecimento do marido, veio conhecer a família, se apaixonou pelo lugar e pelas pessoas, conheceu Emanoel, casou de novo e fincou morada de vez por aqui.
Roberto Titico cresceu apaixonado por Marenes, um amor sufocado, silencioso e que cada vez crescia mais. Marenes namorou quase todos os rapazes do lugar e nunca olhou para Roberto com outros olhos que não sejam de amigo-irmao. Ele era seu confidente de todas as horas, sabia de todos os seus segredos, aconselhava, protegia, mas nunca teve coragem de se declarar.
Para injetar dinheiro na economia, o governo autorizou a quem se casasse, retirar o valor total do PIS/PASEP. Foi uma correria danada para se casar e pegar aquele dinheirinho.
Marenes, que queria o dinheiro, mas não queria nada com casamento, não queria se prender a ninguém, nasceu livre como as folhas revolvidas pelo vento e como as águas que visitam todas as marés do oceano, teve a ideia de se casar com Roberto, seu amigo e que nunca lhe cobraria nada. Ele aceitou, mas na condição de que ela viesse morar com ele, mesmo em quartos separados e sem contato carnal, sem cobranças e sem compromisso, do jeito que ela queria. Pedido feito, trato feito, casamento concretizado e dinheiro nas contas.
Roberto Titico era o homem mais feliz do mundo, nem ligava quando passava pela rua e as pessoas riam de canto de boca, caçoando de sua situação. A única coisa que importava é que o amor de sua vida estava sob o mesmo teto e a esperança tem vida eterna.
Numa noite, Marenes chegou de madrugada, como sempre, Roberto a esperava. Ela chorava muito, só queria um colo, um abraço, um “eu estou aqui”.
Ficou deitada no peito quente de Roberto por um longo tempo, um olhar no olhar sem palavras, o primeiro beijo, esperado, desejado por ele por toda a vida, ela finalmente se entrega, fizeram amor várias vezes e ela adormece. Quando desperta depara com café na cama, flores e o sorriso de Roberto que iluminava não só o quarto, mas toda sua alma. Pela primeira vez em “muitos homens”, se sentia protegida, respeitada e realmente amada.
Os anos passaram, o bairro cresceu, os dois continuam passando as tardes na pequena varanda contemplando o nascer da noite, o cúmplice olhar da lua e o brilhar das estrelas como naquele primeiro dia. Os olhares ainda se encontram. O amor venceu!
Obs: Ame sem moderação e com muita esperança. O dia vai chegar.
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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor


















































