Duas mortes em um dia e condenação histórica: a crise do Pronto-Socorro Infantil de São Gonçalo
- Jornal Daki
- há 47 minutos
- 3 min de leitura
Morte de duas bebês com menos de 24h de intervalo no PSI Darcy Ribeiro expõe padrão de negligência já reconhecido pela Justiça em caso que deixou uma criança com sequelas permanentes

O Pronto-Socorro Infantil (PSI) Darcy Ribeiro, em São Gonçalo, voltou a ser palco de uma tragédia que expõe a fragilidade do atendimento de saúde na cidade. Em 14 de junho, duas bebês morreram na unidade com menos de 24 horas de intervalo. Os casos ocorrem em um momento em que o município acaba de ser condenado pela Justiça por negligência no mesmo hospital, em um processo que se arrastou por dez anos.
Mirella Rodrigues da Silva, de 2 anos, deu entrada no PSI com febre alta e sofreu uma convulsão durante o atendimento. Após ficar em observação, recebeu alta na madrugada. Horas depois, voltou a passar mal, retornou ao hospital e morreu às 8h52. A certidão de óbito aponta sepse não especificada como causa da morte. Na mesma unidade, Helena Vitória Gomes, de 1 mês e 10 dias, estava internada com bronquiolite aguda.
Segundo a família, a bebê apresentava dificuldade para respirar e teve o quadro agravado. Ela morreu às 13h55, após uma tentativa de intubação. As duas famílias aguardam a liberação dos prontuários médicos para formalizar denúncias.
O padrão de falhas apontado pelas famílias não é novo. Em abril de 2016, Victor Henrique Alexandrino, com menos de dois meses de vida, foi levado ao mesmo PSI com febre e dificuldade para respirar. A criança recebeu medicação e foi liberada sem internação ou exames complementares. Dois dias depois, retornou em estado grave, diagnosticado com pneumonia e bronquiolite severas.
Transferido para o Hospital Federal da Lagoa, Victor ficou internado na UTI. Hoje, com 10 anos, convive com atraso severo do desenvolvimento neuropsicomotor, epilepsia, deficiência intelectual profunda e graves transtornos comportamentais.
Após anos de luta da família, a 6ª Vara Cível condenou o município de São Gonçalo a fornecer tratamento vitalício, incluindo medicamentos e canabidiol, pagar pensão mensal de um salário mínimo e indenização de R$ 100 mil por danos morais. A juíza destacou que o direito à saúde da criança prevalece sobre alegações de limitações orçamentárias.
Em nota, a Prefeitura de São Gonçalo informou que o caso de Mirella será analisado pelos setores competentes, mas não comentou a morte de Helena Vitória. As duas mortes recentes e a condenação histórica revelam um padrão que se repete: atendimento insuficiente, falta de exames e liberação precoce de pacientes em estado grave.
Enquanto as famílias aguardam respostas, o alerta sobre a qualidade do serviço prestado pelo PSI Darcy Ribeiro se torna ainda mais urgente e mobiliza a sociedade em apoio às famílias.
Na sexta (17), o vereador Isaac Ricalde acompanhou as famílias de Mirella e Helena Vitória na 72ª Delegacia de Polícia, no Mutuá, para o registro de ocorrência das mortes das crianças no PSI.
"Não é possível um lugar que existe para salvar e cuidar das vidas das pessoas seja tão negligente e cause tanta dor. Quem deveria proteger a vida dessas crianças tem que ser responsabilizado. A crise na saúde em São Gonçalo é escandalosa", disse Isaac.
Com informações de A Tribuna.
Nos siga no BlueSky AQUI.
Entre no nosso grupo de WhatsApp AQUI.
Entre no nosso grupo do Telegram AQUI.
Ajude a fortalecer nosso jornalismo independente contribuindo com a campanha 'Sou Daki e Apoio' de financiamento coletivo do Jornal Daki. Clique AQUI e contribua.












































