Fala sélio!
- Jornal Daki

- 27 de ago.
- 2 min de leitura
SÃO GONÇALO DE AFETOS
Por Paulinho Freitas

Gosto de pastéis. Especialmente aqueles grandes que são vendidos na feira. Dizem que é de carne de soja, feito sem higiene etc, etc , mas eu nem ligo. Afinal, se você visitar a cozinha dos restaurantes, em muitos deles você não comeria. Então, “o que os olhos não vêem, o coração não sente”.
Nos idos anos oitenta existia uma lanchonete na rua José Clemente, no centro de Niterói, que vendia um tipo de pastel de forno chamado de sorriso. Era uma delícia. Mais à frente a Pastelaria Imbuí, vendia o melhor pastel da cidade. Sem falar nas lanchonetes da rua São João, que além de pastéis, vendiam tudo quanto é tipo de salgadinhos, todos gigantescos e baratos.
Desse tempo para cá o estado do Rio foi invadido pelos orientais. Em cada esquina tem uma lanchonete do “China” , vendendo pastéis e caldo de cana. Apesar de não falarem quase nada de português, entendem tudo o que a gente fala e jamais se desgrudam do caixa. Eles são muito desconfiados. E esquentados também.
Na praça do Gradim tem uma loja dessas. Eles já estão bem “abrasileirados”. Vendem de um tudo em matéria de bar e ainda colocaram uma caixa de som que toca pagode e sertanejo o dia todo.
Todos os sábados eu passo ali na porta e tem um gaiato que chega todo sério, pede um refresco, bebe bem devagar e na hora do pagamento, oferece uma nota de cem reais. A dona do estabelecimento xinga, na língua dela, todos os palavrões possíveis e imaginários e o sujeito morre de rir. Quando ela, contrariada lhe dá o troco ele sai gargalhando prometendo voltar na próxima semana. Todo mundo ri e o sábado segue feliz.
Neste sábado passado, ao passar por lá, me deu vontade de ir ao banheiro. Entrei, usei e quando sai, a proprietária, com cara de poucos amigos me gritou:
Ô negon! É um leal!
Fiquei indignado e retruquei:
Dois reais pra fazer xixi?
Ela, limpando o balcão, sem tirar os olhos de mim: Cocô é cinco!
Aí foi minha vez de gargalhar. Paguei e falei com o outro balconista, que deve ser marido dela:
Tá metendo a mão em ô Chinês!
Ele muito sério, com um cigarro tremendo entre os dedos:
_Gastô água, não complô nada, fala sélio! E ota cosa, não sô Chinês, sô coleano!
O dia estava só começando e o bar já estava enchendo. Provavelmente muitos malandros passarão por ali para fazer algum tipo de brincadeira com eles, que apesar de demonstrarem mal humor, estão bem felizes com o lucro que estão tendo.
Saionará! Ops! Gaseyo!
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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor














































































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