Ofensas de Milei a Lula e Moraes levam governo a convocar embaixador em Buenos Aires
- Jornal Daki
- há 1 dia
- 2 min de leitura
Presidente argentino chamou Lula de “presidiário” e Moraes de “lixo careca” durante visita a São Paulo. Convocação de embaixador para consultas é protesto diplomático formal

O governo brasileiro convocou o embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, após o presidente argentino Javier Milei atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante uma visita a São Paulo.
Milei chamou Lula de “presidiário” e se referiu a Moraes como “basura calva”, expressão que pode ser traduzida como “lixo careca”. O ataque ao ministro ocorreu depois de Moraes negar um pedido do argentino para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A convocação de um embaixador para consultas funciona como protesto diplomático formal de alta gravidade, indicando descontentamento do país que chama seu representante. A permanência de Bitelli no Brasil ainda não estava definida. O Itamaraty também poderia chamar o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para dar explicações sobre as falas de Milei, o que ampliaria o repúdio oficial.
O presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota em resposta: “Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição”. Fachin afirmou que a Presidência do Supremo “deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”.
O PT repudiou as declarações de Milei contra Lula. Na avaliação de fontes oficiais, o presidente argentino ultrapassou limites diplomáticos ao atacar o chefe de Estado brasileiro e um ministro do STF dentro do Brasil. As relações bilaterais, que ainda avançavam em áreas como comércio e defesa, entram em fase de maior tensão. Em 2025, a corrente de comércio bilateral chegou a US$ 32 bilhões, maior volume desde 2013.
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