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Passageiros de ônibus caem nas capitais, mas número de cidades com subsídio dispara

Queda de 2,3% na demanda interrompe recuperação pós-pandemia; 440 municípios já custeiam o transporte público, salto de 151% em relação ao pré-Covid, mas experiência da tarifa zero tem recuo em oito cidades


"Vermelhinho" como o ônibus Tarifa Zero é conhecido em Maricá/Foto: reprodução
"Vermelhinho" como o ônibus Tarifa Zero é conhecido em Maricá/Foto: reprodução


Após quatro anos de alta, o número de passageiros transportados por ônibus em nove capitais brasileiras caiu em 2025. Os dados, do Anuário 2025-2026 da NTU, mostram que cerca de 395 milhões de pessoas usaram o transporte público rodoviário até outubro do ano passado, uma redução de 2,3% em relação ao mesmo período de 2024. A demanda atual equivale a apenas 77,5% do registrado em 2019.


A retração interrompeu a recuperação do setor após a pandemia. O estudo aponta mudanças no perfil dos deslocamentos urbanos, com predominância de automóveis, motocicletas e aplicativos. A quilometragem percorrida pelos ônibus nas capitais analisadas também caiu, de 157 milhões de km para 148,1 milhões de km.


Para Francisco Christovam, presidente da NTU, o momento é decisivo: “Ou construímos um novo modelo de financiamento permanente, compatível com os benefícios que o transporte público gera para toda a sociedade, ou continuaremos assistindo ao avanço da motorização individual”.


Em contrapartida, o número de cidades que subsidiam o transporte público disparou. Atualmente, 440 municípios brasileiros contam com subsídios para ônibus, um aumento de quase 10% em relação a 2024 (404 cidades). Antes da pandemia, eram apenas 175. O segmento custa anualmente cerca de R$ 75,7 bilhões, dos quais 20% são cobertos por subsídios públicos.


Os recursos, no entanto, continuam concentrados em capitais e regiões metropolitanas e são financiados majoritariamente por municípios e estados, sem participação permanente da União.


O recuo da tarifa zero


Enquanto cresce o número de cidades que subsidiam o transporte público, a experiência da tarifa zero tem mostrado desafios. Levantamento da NTU identificou oito municípios brasileiros que haviam implantado a gratuidade universal nos ônibus, mas voltaram atrás.


Lista das cidades que recuaram:

- Jaboticabal (SP)

- Monte Mor (SP) – A gratuidade universal foi encerrada em 2025, após menos de dois anos de funcionamento. A prefeitura alegou inviabilidade financeira.

- Paulínia (SP) – Adotou a tarifa zero na década de 1990, mas interrompeu o programa após alguns anos. Foi retomado em formato parcial e descontinuado em 2018, com a prefeitura citando vandalismo nos ônibus.

- Picos (PI)

- Pirapora do Bom Jesus (SP)

- Porto Real (RJ)

- Tijucas do Sul (PR)

- Ubiratã (PR)


Dados do estudo:

- O recuo ocorreu em cidades de pequeno e médio porte, com populações entre 18 mil e 111 mil habitantes.

- Metade desses municípios fica no estado de São Paulo.

- A pesquisa aponta que, em geral, as iniciativas de tarifa zero duraram períodos relativamente curtos, de poucos meses a alguns anos.


O que veio depois:

Em alguns casos, as cidades adotaram estratégias intermediárias. Paulínia, por exemplo, passou a cobrar uma tarifa simbólica de R$ 1 (R$ 0,50 para estudantes). Em Monte Mor, a passagem passou a custar R$ 6, mas com isenção total ou desconto para inscritos no CadÚnico.


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