A disputa pelo Palácio Guanabara: sete candidatos, sete histórias
- Jornal Daki

- há 2 minutos
- 3 min de leitura
Do carro de César Maia ao palanque bolsonarista, passando por programas sociais, prisões, imitações políticas e fuzis de elite — a corrida pelo governo do Rio de Janeiro já tem rosto e sobrenome

A menos de uma semana do início oficial da campanha eleitoral, a corrida pelo governo do Rio de Janeiro já tem nome e sobrenome. Sete candidatos, de perfis radicalmente distintos, prometem polarizar a disputa pelo Palácio Guanabara em outubro. Do velho conhecido ao estreante, passando por herdeiros, humoristas e veteranos da política fluminense, o leque de opções revela um estado em busca de identidade — e de um novo rumo.
O favorito
Eduardo Paes (PSD) chega à sua terceira tentativa ao governo estadual. Aos 56 anos, o ex-prefeito do Rio por quatro mandatos acumula uma experiência administrativa rara e uma coleção igualmente vasta de alianças, rompimentos e controvérsias. Derrotado em 2006 e em 2018, quando um ex-juiz federal despontou nas últimas semanas e o venceu no segundo turno, Paes volta agora com o apoio de Lula e o currículo de quem foi o carioca mais votado da história municipal. Sua trajetória começou nos anos 1990, integrando a Juventude Cesar Maia — os chamados "Menudos" — e dirigindo o carro do então candidato César Maia. Hoje, tenta trocar as chaves do Palácio da Cidade pelas do Palácio Guanabara.
A aposta bolsonarista
Douglas Ruas (PL), 37 anos, é o herdeiro político de São Gonçalo. Filho do prefeito Capitão Nelson, o ex-policial civil foi eleito deputado estadual em seu primeiro mandato, presidiu a Alerj e agora tenta saltar para o governo com o apoio explícito de Michelle e Flávio Bolsonaro. Sua carta de apresentação: R$ 2 bilhões em obras executadas em 73 municípios. Seu calcanhar de Aquiles: fazer parte do grupo político alvo de investigações da Polícia Federal que já levou diveros correligionários à prisão, e o próprio reduto eleitoral, São Gonçalo, que patina em problemas crônicos de educação e segurança. A ascensão meteórica do herdeiro, que trocou a arma pelo parlamento, será testada contra o favoritismo de Paes.
O velho conhecido que nunca se foi
Anthony Garotinho, 66 anos, é uma das trajetórias mais longas e controvertidas da política fluminense. Radialista, ex-prefeito de Campos, ex-governador do Rio e candidato à Presidência, construiu carreira sobre programas sociais, disputas judiciais, prisões e uma impressionante capacidade de sobreviver às turbulências. Nascido em Campos, começou a narrar futebol no rádio e incorporou o apelido que viraria sua marca eleitoral. Ainda hoje, mantém forte identificação com as camadas populares e o eleitorado evangélico. Mais um capítulo de uma história que parece não ter fim.
O humorista que virou candidato
André Marinho (Novo), 32 anos, é a aposta mais inusitada. Humorista e influenciador, nunca disputou uma eleição. Ganhou projeção nacional em 2018 com imitações de políticos, passou pelo “Pânico” — onde se envolveu em brigas ao vivo e confrontos com Jair Bolsonaro — e agora quer governar o terceiro estado mais populoso do país. Sua trajetória é marcada por demissões controversas e uma mudança de escala que poucos ousariam tentar.
A esquerda em campo
William Siri (Psol), 36 anos, economista e morador de Campo Grande, construiu sua trajetória em movimentos sociais antes de se tornar, em 2021, o vereador mais jovem do Rio e o primeiro do Psol eleito na Zona Oeste. Presidente da Comissão de Trabalho e Emprego da Câmara, defende pautas como emergência climática, liberdade religiosa e redução das desigualdades. Promete uma "revolução na educação" e mira o Palácio Guanabara como alternativa de esquerda.
Cyro Garcia (PSTU), 71 anos, é o veterano da esquerda radical. Historiador, advogado e sindicalista, iniciou a militância nos anos 1970, participou da fundação da CUT e do PT, rompeu com ambos e ajudou a fundar o PSTU. Esta será sua terceira candidatura ao governo e sua 12ª disputa eleitoral — sem nunca ter sido eleito. Uma vida dedicada a uma proposta socialista e revolucionária.
O homem da segurança
Coronel Busnello (Partido Missão), 55 anos, ex-Bope, sniper e subcomandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais, tenta chegar ao governo em sua primeira disputa pelo cargo. Ganhou notoriedade em 2009 ao matar um sequestrador em Vila Isabel. Promete transformar a segurança pública e "vencer todas as facções". Já tentou duas vezes ser deputado federal, sem sucesso.
Sete histórias, sete origens, um mesmo objetivo: o Palácio Guanabara. A partir de 16 de agosto, a campanha oficial começa — e o eleitor fluminense terá que escolher entre o experiente, o herdeiro, o veterano, o humorista, o militante, o radical e o policial.
Com informações de Agenda do Poder.
Nos siga no BlueSky AQUI.
Entre no nosso grupo de WhatsApp AQUI.
Entre no nosso grupo do Telegram AQUI.
Ajude a fortalecer nosso jornalismo independente contribuindo com a campanha 'Sou Daki e Apoio' de financiamento coletivo do Jornal Daki. Clique AQUI e contribua.








































































Comentários