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Pesquisadora lança ‘Quem dirige em São Gonçalo, dirige em qualquer lugar’ no CCBB


Antropóloga Talitha Rocha lança amanhã pela Eduff o livro em que faz uma etnografia sobre a Guarda Municipal de São Gonçalo


O trabalho de Talitha passou pela seleção de obras do Edital Eduff 2015, na Série Nova Biblioteca

De O Fluminense

Nesta sexta (27), às 18h, na Livraria da Travessa do Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), acontece o lançamento do livro “‘Quem dirige em São Gonçalo, dirige em qualquer lugar’: Uma etnografia das práticas e representações da Guarda Municipal”, da antropóloga Talitha Rocha, mestra e doutoranda em Antropologia pela UFF.

O trabalho é resultado da etnografia desenvolvida por Talitha com a Guarda Municipal de São Gonçalo entre dezembro de 2013 e dezembro de 2014, para sua dissertação de mestrado, que foi defendida em 2015. Passou pela seleção de obras do Edital Eduff 2015, na Série Nova Biblioteca, e foi contemplada com o Prêmio de Excelência UFF 2016, na categoria de melhor dissertação de mestrado da área de Ciências Humanas, Ciências Sociais, Ciências Sociais Aplicadas e Linguística, Letras e Artes. Essas conquistas são resultado da densidade alcançada por Talitha com a pesquisa, fruto não só dos seus dois anos de mestrado, mas de uma relação com a Guarda Municipal que começou ainda em 2009, quando era aluna de graduação.

“A questão do trânsito não era meu interesse principal de pesquisa. Tudo começou quando eu me inseri em uma pesquisa da professora Ana Paula Mendes Miranda, em 2009, que faz parte do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (INCT-inEAC), do qual eu também faço parte atualmente. A pesquisa analisava as formas de registro da Guarda Municipal de São Gonçalo e, posteriormente, também fizemos com a Guarda Municipal de Rio Bonito. A pesquisa gerou o livro ‘Políticas Públicas da Guarda Municipal’, que fala sobre os registros administrativos nas guardas municipais”, comenta a cientista social.

Foi nessa primeira inserção que ela começou a perceber que a principal função da guarda municipal, não só em São Gonçalo, como também em Rio Bonito, era organizar o trânsito. Como na prática etnográfica da antropologia o pesquisador tem o costume de andar e conviver próximo aos interlocutores, foi nessas idas e vindas pelas ruas de Rio Bonito e São Gonçalo que Talitha começou a se interessar pelo trânsito.

“Quando eu passei da graduação para o mestrado, eu sabia que queria alguma coisa relacionada a São Gonçalo e ao trabalho da guarda municipal na cidade, que era no trânsito, porque essas representações e estereótipos – como a expressão que dá título ao livro – começaram a me intrigar”, lembra.

Ela relata que durante as observações iniciais surgiram perguntas como “Por que São Gonçalo tem essa representação de um trânsito caótico e desorganizado?”, de modo que começava a identificar que, de alguma maneira, os agentes tentavam dar conta dessas representações e construir um sistema simbólico e classificatório que desse conta das necessidades da cidade.

“A principal função do guarda é fazer o trânsito fluir. Isso naquela época, porque nós costumamos dizer que a etnografia às vezes tem prazo de validade. Em 2015, quando eu já não estava mais lá, muitas coisas mudaram e a guarda de São Gonçalo já tomou uma outra função, e, naquela época, para fazer o trânsito fluir, eles lançavam mão do que eles chamavam de ‘bom-senso’, que é um sistema classificatório em que eles entendiam de que maneira tomar suas decisões no trânsito e em que eles saberiam o momento de abrir mão ou não do plano formal das regras cotidianas. Eu entendi o ‘bom-senso’ como um saber local e um saber prático, ao mesmo tempo, que é um saber que o guarda constrói no dia a dia, baseado no seu contexto. Isso não quer dizer que ele estava agindo contra a lei, nada disso. Na verdade, o ‘bom-senso’ é necessário para que as coisas funcionem”, explica.

Para além da compreensão sobre as práticas da Guarda Municipal, a pesquisa de Talitha também contribui para o entendimento dos processos que envolvem os estereótipos da cidade de São Gonçalo e seu trânsito, vide o prefácio escrito por Edilson Márcio, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFF.

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