Desistir... jamais!
- Jornal Daki
- há 19 minutos
- 3 min de leitura
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas

Tarde de segunda feira, as férias já dão sinais de que vão se acabar em breve. As crianças já lotam as papelarias escolhendo junto ao país, cadernos, mochilas, estojos etc. Pais ficando de cabelos brancos e com aquele frio na barriga ao se aproximarem do caixa. Não está mole a vida de quem estuda e a vida de quem paga os estudos. Tudo seria mais fácil se os governos pagassem salários dignos aos professores e tratassem melhor as estruturas dos colégios públicos, em sua maioria, caindo aos pedaços ou abandonados como casebres sem dono.
Saindo do caixa, uma mulher diz ao filho que é o último ano dele na escola, que no próximo ano ele já faz dezesseis anos e tem que trabalhar para ajudar em casa. O rapaz responde que vai ser advogado e se ela não quiser que ele fique em casa, vai morar na rua, mas vai terminar o segundo grau e vai fazer vestibular, vai ser advogado. A mãe, não pode dar a ele a compreensão que não teve, o apoio que não teve e nem o amor que não teve.
O que sente por ele é um amor instintivo, de natureza orgânica, não emocional. Ela dá uma risada de deboche e sai arrastando o rapaz que apesar de estar muito envergonhado não discute e a acompanha com um triste semblante.
Eu queria comprar uma resma de papel. Não comprei. Saí andando e me lembrando de um certo rapaz, que aos mesmos dezesseis anos, foi ao trabalho de um amigo na zona sul do Rio de Janeiro e ficou fascinado com a empresa e com as pessoas.
O lugar era lindo e as pessoas que lá trabalhavam pareciam saídas das novelas. Mulheres com salto alto, e elegantemente vestidas e os homens com sapatos de pelica e roupas sociais também de uma elegância ímpar. O rapaz saiu de lá jurando trabalhar lá a qualquer custo. Conseguiu com que o amigo o arranjasse uma entrevista de emprego e ao ser informado de que deveria esperar o chamado em casa não se conformou.
Passou um mês inteirinho sentado na recepção da empresa. Chegava às oito da manhã e saia as cinco da tarde. Quando repetiram que ele deveria esperar o chamado em casa ele respondeu:
_ Não precisa. No dia em que precisarem, eu já estarei aqui. Não tiveram outra alternativa, o contrataram e ele só saiu quando a empresa saiu do Brasil.
Esse mesmo rapaz cismou de trabalhar em estaleiro, foi a mesma estratégia e novamente conseguiu seu objetivo.
Quando decidiu que era hora de tentar uma vaga num escritório e andar elegante de novo, não fez diferente e novamente conseguiu seu objetivo e passou a vida nos serviços burocráticos.
Eu só espero, de coração que este rapaz tenha convicção de seu desejo e seu objetivo seja alcançado. Não vai ser fácil, mas vai ser gratificante para ele e será um grande ganho para uma sociedade carente de pessoas que abracem a justiça como causa e o bem estar de todos como objetivo. Que não haja força contrária capaz de fazê-lo desistir.
São Gonçalo de Afetos continua por aí, captando essas histórias Gonçalenses que. Fazem rir, fazem chorar e fazem pensar.
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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor


















































