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Coronavírus: funcionários relatam casos no Abrigo Cristo Redentor

Instituição nega que haja casos de infecção entre os abrigados


Por Cláudio Figueiras

Foto: Divulgação

Pânico. Esse é o sentimento que toma o corpo de funcionários do Abrigo do Cristo Redentor, no bairro Estrela do Norte, em São Gonçalo. Isso porque o temido coronavírus, patógeno causador da agressiva Covid-19, já faz parte do cotidiano da instituição que abriga pelo menos 137 idosos, o principal grupo de risco da doença, que já matou, oficialmente, mais de 7 mil pessoas no país e 1.065 só no estado do Rio, segundo dados atualizados do Ministério da Saúde nesta segunda (4/5).


Relatos que chegaram ao Jornal Daki por funcionários da instituição - que pediram sigilo absoluto da fonte - dão conta de pelo menos 3 abrigados com sintomas de Covid-19 de uma semana para cá, que precisam ser testados.


Os funcionários, que estão com salários atrasados há dois meses, contam que não existem insumos e equipamentos de proteção individual (EPI's) de uso básico na enfermaria, e temem, além da infecção dos profissionais que trabalham no Abrigo, a morte em massa dos abrigados, a maioria deles com quadro de comorbidades patológicas (duas ou mais doenças associadas num mesmo paciente).


A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da instituição, que não confirmou casos de Covid-19 entre os abrigados, mas admitiu a ocorrência de salários atrasados e falta de EPI's para os funcionários. E culpa o governo do estado:


- O estado deve ao Abrigo R$ 2 milhões. Essa situação se arrasta desde 2017. É um problema que se agrava neste momento de pandemia, porque diminuiu as poucas receitas que temos e as doações da sociedade, que sempre foi uma grande parceira do Abrigo. Precisamos de ajuda - apela J. Sobrinho, jornalista e assessor de imprensa do Abrigo.


O governo do estado mantém um convênio com o Abrigo através da Fundação Leão XIII, que possui 53 abrigados na instituição. A prefeitura de São Gonçalo financia a permanência de outros 54 idosos. Mas, diferentemente do estado, está regular nos repasses, informa Sobrinho.


Segundo a direção, foram tomadas "todas as providências para resguardar tantos os idosos quanto os funcionários".


E desde o dia 13 de março, não há saídas e nem visitas aos abrigados. Alguns idosos, por sua vez, precisam sair da unidade, acompanhados, para realizar exames e alguns procedimentos médicos. Quando voltam, ficam isolados para cumprir o protocolo de segurança.


Entre março e abril, o coronavírus dizimou populações quase inteiras de diversos asilos na Itália, Espanha e França, e mais recentemente nos Estados Unidos, país que lidera o número de infectados e mortes no mundo, com mais de 68 mil vítimas fatais.


- Quando o vírus entra nesses locais, inevitavelmente acontece um massacre, como infelizmente está ocorrendo em diversas partes da Itália - advertiu o Spi-CGIL, departamento de pensionistas do principal sindicato italiano, publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 24 de março, auge da pandemia naquele país.


Atualização: matéria retificada às 19h05.


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