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Tia Beth & Tia Vânia - por Paulinho Freitas

SÃO GONÇALO DE AFETOS


Foto: Acervo pessoal
Foto: Acervo pessoal

Quando meu filho mais velho nasceu tia Beth e tia Vânia moravam num apartamento pequeno, mas ainda bebê ele já passava tardes com elas e às vezes até dormia lá. Quando os primos foram chegando tomaram o mesmo caminho.


Tia Beth e tia Vânia construíram uma casa grande com quintal e piscina onde sobrinhos e afilhados frequentavam assiduamente nos finais de semana e nas férias escolares, ou até mesmo quando por algum motivo faltavam as aulas elas estavam lá. Na casa delas era brincar, brincar e brincar, parecia aqueles filmes de sessão da tarde onde as crianças imaginam um lugar que tem tudo de bom.


Tia Beth e tia Vânia também inventavam de alugar sempre uma casa em algum lugar e levavam os sobrinhos para pescar, nadar na praia e fazer uma porção de coisas. Na casa delas a gargalhada era certa, mesmo quando elas davam bronca em um os outros riam escondido para não levarem bronca também.



No dia de São Cosme e São Damião tia Beth colocava as crianças no carro e saía pela

vizinhança pegando os saquinhos de doces e na parte da tarde uma enorme fila se

formava no portão de sua casa para pegar os doces que ela distribuía em homenagem

aos santos meninos. A criançada adorava aquela confusão.


No natal ficavam esperando a hora de abrir os presentes em casa, mas ansiosos para ver,

depois de meia-noite o carro de tia Beth parando na frente da casa para levar todos para

sua casa e mais uma vez abrir presentes. A expectativa era grande, mas mesmo se o

presente não fosse o esperado estar ali já era um presente muito legal, via-se nos

olhinhos delas.


No ano novo sempre esteve todo mundo junto na casa de tia Beth e tia Vânia, mesmo

quando passamos a virada do ano na praia, passamos perto delas.



As crianças cresceram, casaram, tia Beth e tia Vânia mudaram-se da cidade. E as crianças? Essas estão dando um jeitinho, uma de cada vez mudando para perto da casa de tia Beth e tia Vânia. Quando todos estão reunidos e gargalhando, lembrando a infância e adolescência o assunto sempre gira em torno de algum acontecimento na casa dessas tias.


Tia Beth e tia Vânia não tiveram filhos naturais, estiveram presentes na criação dos sobrinhos e afilhados que embora já com suas vidas independentes e encaminhadas não se esquecem do aconchego daquela casa.


São histórias que ficam para sempre e serão contadas para filhos e netos geração após geração. Mais um rebento da segunda geração acaba de chegar. Adivinha onde ele tem passado a maior parte do tempo?


Vida longa às tias queridas!

 

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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor.