Meu caro amigo
- Jornal Daki

- 25 de jun.
- 2 min de leitura
Atualizado: 27 de jun.
SÃO GONÇALO DE AFETOS
Por Paulinho Freitas

São Gonçalo, 23 de junho de 2025
Fala Pedrão!
Estou te escrevendo para te desejar um feliz aniversário. Hoje me lembrei daquelas festas que a gente fazia. Cada um levava um pratinho ou um refrigerante. A gente comia tudo em menos de meia hora e passávamos o resto da festa rindo sem saber porque e nem de quê. Depois que você saiu daqui, não fizemos mais festas como nos velhos tempos!
Nosso bairro amanheceu com uma barulhada danada. Mistura de fogos com tiros. Era aniversário do “homi” e o dia foi movimentado.
Lá no começo da rua foi montado um pula-pula gigante. Dava para todas as crianças do bairro pularem ao mesmo tempo e ainda sobrava espaço. Teve churrasco a 0800, doces e balas, refrigerantes e até aquela cerveja de garrafa verde distribuída à balde para quem quisesse. O pessoal das igrejas evangélicas fizeram culto. Na igreja católica teve missa e no centro espírita de dona Nonô, o atabaques levaram pancadas forte o dia todo.
Às seis da tarde, outra barulhada, fogos e tiros se misturavam. Cachorros e gatos corriam sem destino, algumas crianças choravam assustadas, o céu ficou iluminado e colorido, demorou mais que os fogos de Copacabana.
Lá pelas dez da noite o som foi ligado, vários djs e cantores se revezavam em memoráveis apresentações. Um grande balão com o nome do aniversariante foi solto. Cheio de lanternas coloridas e fogos. A festa rolou com farta distribuição de cervejas, drinks e outras cositas más, Agora inventaram uma tábua, onde as meninas deitam e os meninos se revezam, deitando e rolando, se é que me entendes. Criança fabricando criança. O couro comeu até de manhã.
Sabe como é, quando tem briga no baile, quem brigou tem que varrer a rua, deixar tudo limpo. Alguns não aguentaram a pressão de tanta “fartura” e dormiam pelas calçadas. Outros ainda teimavam em dançar sem música e conversavam sem saber do que estavam falando e nem entender o que falavam, enquanto outros gargalhavam da própria situação degradante.
Quando se pensava que tudo estava acabado e iríamos enfim ter um dia de paz, aquele carro grandão, blindado, que você bem conhece, entrou atirando e foi recebido também a tiros. Foram horas de terror e desespero. Quando tudo acabou, só se via fumaça e sentia-se um cheiro forte de pólvora. As paredes de uma casa, onde várias crianças brincavam ficaram todas furadas de bala. O silêncio sepulcral foi quebrado pelo som do tatan de Marquinho EdJesus que com sua voz rouca, quase em sussurro cantava: “Mais um João que se foi, tão cruel assim. Volte logo meu Deus, o mundo está chegando ao fim...”
Lembrei de você. Onde quer que você esteja, feliz aniversário.
Do amigo,
Paulinho Freitas
Obs: Qualquer semelhança com nomes ou fatos, é mera coincidência.
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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor














































































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