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Uns sete uns

SÃO GONÇALO DE AFETOS


Por Paulinho Freitas

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A mente humana não é mole. Ela sempre dá um jeito de burlar o sistema para satisfazer o ego de seu dono. Se a maioria das pessoas que vivem de dar aquele “jeitinho” usasse a mente para o bem da humanidade, estaríamos num céu.


Um grande amigo, a quem devoto todo meu respeito e carinho, era funcionário público. Na época a informática ainda engatinhava, os cartões de débito eram lentos. Você passava o cartão e ainda demorava uma meia hora para o dinheiro sair da conta. Ele ia ao supermercado, fazia compras e pagava com cartão de débito. Saia correndo, atravessava a rua, entrava no banco e sacava tudo. Obviamente quando o débito chegava, a conta virava no vermelho e seguia assim até o próximo pagamento. Até um dia em que fizeram a correção no sistema e ele se deu mal. Fez as compras e quando chegou no banco o dinheiro já havia saído da conta. Aí, ele ficou no vermelho no resto do mês.


Um conhecido de infância fazia coisa mais grossa, desonesta mesmo. Passava cheque sem fundos, as vezes roubado. Lembro uma vez que estava no bar de um amigo e ele pagou a despesa de todo mundo com cheque. Era uma sexta feira à noite. Na segunda feira, o dono do bar foi ao banco sacar o cheque para saldar os compromissos do bar. Quando chegou ao caixa, a atendente pediu para que ele aguardasse. Em poucos minutos o pobre homem se viu cercado por policiais. Até explicar o acontecido, muitas lágrimas rolaram. Quanto ao malandro, este desapareceu sem deixar rastros.


Esse mesmo “bom de lábia”, certa ocasião, foi a uma casa de festas e alugou cem jogos de mesa que foram entregues no endereço dado por ele. Na segunda feira quando o caminhão encostou no imóvel para retirar as mesas, veio a surpresa. Na parede frontal da casa, numa enorme placa estava escrito em letras maiúsculas e garrafais: ALUGA-SE.


O malandro tinha ido a uma imobiliária, pegou as chaves para ver o imóvel, tirou a placa e recebeu as mesas. Logo após, retirou a mercadoria que foi parar em lugar incerto e não sabido.


Seus pais, sem alternativa, pois toda hora tinha alguém no portão cobrando uma dívida e até ameaças de matar a família toda receberam, mudaram-se para nunca mais voltar. Ele é tão destemido que até a milícia ele enganou. Num bairro dominado por esta facção, um dia antes do cobrador passar para receber o arrego dos moradores e do comércio local, ele passou recolhendo tudo. Faturou uma grana e sumiu.


A última dele foi entrar num centro comercial vendendo IPHONE, pela metade do preço de mercado. Vendeu muitos e desapareceu. Quando as pessoas tentavam ligar os aparelhos é que percebiam que os IPHONES só tinham a caixa, pois, dentro estavam mais ocos que cabeça de atestado. Já está careca e com barba branca. Nunca foi preso e nenhuma vitima jamais conseguiu encontrá-lo para dar a prometida surra.


O terceiro personagem, pedia dinheiro emprestado, alegando ter ganho uma grande quantia no jogo do bicho. “Amanha sem falta te devolvo”, dizia ele na maior cara de pau. No dia seguinte, ou na próxima vez que encontrasse com a vítima, mostrava uma lista com vários nomes e dizia: _Teu nome está aqui. Assim que eu receber você será o primeiro a ser pago. Como isso nunca acontecia, lá ia ele fazendo das suas. Na única vez que me pediu dinheiro, falei com ele que eu tinha um contrato com o banco. O banco não podia fazer samba e eu não podia emprestar dinheiro. Cada um na sua praia. Eu hein!


Obs: Qualquer semelhança com fatos e nomes, é mera coincidência.


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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor 





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