UE critica Trump e cobra Fifa por liberar Balogun na Copa
- Jornal Daki

- há 6 horas
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Comissão Europeia, Uefa e Bélgica condenaram decisão da entidade após pressão de Donald Trump; episódio reacende debate sobre influência política no esporte

A decisão da Fifa de liberar o atacante Folarin Balogun para as oitavas de final da Copa do Mundo, após um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou forte reação na Europa. A Comissão Europeia, a Uefa e autoridades da Bélgica afirmaram que decisões esportivas devem ser tomadas de forma independente, sem influência política.
Nesta segunda-feira (6), a porta-voz da Comissão Europeia, Eva Hrncirova, reforçou que as federações precisam ter autonomia para aplicar suas próprias regras. O comissário europeu para o Esporte, Glenn Micallef, foi mais incisivo: “Influenciar decisões esportivas compromete a autonomia do esporte”. Ele afirmou que a Fifa tomou “a decisão errada”.
A Uefa classificou a mudança como “incompreensível e injustificável” e afirmou que a Fifa ultrapassou “uma linha vermelha”. A Bélgica também criticou a entidade. O ministro das Relações Exteriores, Maxime Prévot, declarou que o episódio levanta “muitas dúvidas” sobre a atuação da Fifa. O governo britânico afirmou que decisões disciplinares devem permanecer sob responsabilidade dos órgãos que administram o futebol.
Balogun havia sido expulso na vitória dos EUA sobre a Bósnia, o que resultaria em suspensão automática para o duelo contra a Bélgica. Após uma ligação de Trump para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, a entidade anunciou que o Comitê Disciplinar converteu a punição em uma suspensão condicional.
O episódio reacendeu um debate recorrente na história do futebol: a influência da política sobre a Copa do Mundo. Ao longo da história, ditaduras e líderes políticos já tentaram usar o torneio como ferramenta de propaganda ou exercer influência direta sobre a competição.
Em 1934, Mussolini transformou a Copa em vitrine do fascismo. Em 1978, a ditadura argentina de Videla usou o Mundial como instrumento de propaganda. O caso atual mostra que, mesmo na democracia, a interferência política continua sendo uma ameaça à autonomia do esporte.
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