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A prova do pudim do governo Nelson - por Helcio Albano


Douglas Ruas/Foto: Reprodução facebook
Douglas Ruas/Foto: Reprodução facebook

O filho do prefeito Nelson Ruas (PL), Douglas Ruas, deixou a Secretaria de nome pomposo da Prefeitura de São Gonçalo para se aventurar a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) nas eleições deste ano.

A desenvoltura do rapaz nas urnas - que dizem não ter lá muito traquejo com o povão - será a prova do pudim da administração do pai, que tem à sua disposição um volume de recursos jamais visto na história da cidade. Dinheirama que não o impediu, porém, de vir batendo cabeça ao longo do mandato em áreas sensíveis do governo. Sendo a Educação a mais gritante delas, com um secretário - o segundo - já na corda bamba.


A Prefeitura tem apostado na velha fórmula do recapeamento e asfaltamento massivos das principais vias da cidade como forma de “mostrar serviço” ao gonçalense e dar visibilidade ao caçula do capitão. Este, que não perde a oportunidade de sair bem na foto ao lado do pai e outros convivas para fins de autopromoção em suas ainda amiudadas redes sociais, com pouco mais de 10 mil seguidores.


Para se ter uma ideia, seu concorrente direto à Alerj, Prof. Josemar (Psol), tem mais de 27 mil seguidores só no Facebook.


Douglas prometeu muito como secretário mas pouco entregou à municipalidade.


O MUVI, sua principal bandeira em mobilidade, orçada em mais de R$ 350 milhões, por exemplo, não deve sair do papel.


A ordem é não gerar ruído em ano eleitoral com as centenas de desapropriações que devem ser feitas ao logo do traçado da antiga linha férrea que liga Neves a Guaxindiba.


O Colab, promessa de modernização das relações entre cidadão e poder público, não vingou. Assim como o entusiasmo dos vereadores da base do governo com o ex-secretário. Que citam agora de modo protocolar o seu nome nas sessões da Câmara. O que contrasta, e muito, com o oba-oba visto até o final do ano passado, quando era tido como um "gênio" da coisa pública, “preparado”, “diferenciado” e “capacitado” para enfrentar os colossais desafios de uma cidade como São Gonçalo.


A realidade se impôs assim como as responsabilidades não atendidas que, com certeza, cobrarão o seu preço.



A estratégia de campanha comandada pelo deputado federal Altineu Côrtes (PL), também candidato à reeleição e mentor do governo Nelson, é concentrar todos os esforços na eleição do ex-secretário (e nele mesmo), apresentado como único candidato a deputado estadual do seu grupo político e de apoio, de cabo a rabo, ao prefeito, ao governador Cláudio Castro e ao Bozo.


Isso inclui os vereadores da base, enquadrados a não se lançarem e a não apoiarem outro candidato que não seja o Douglas Ruas. Sob pena de perderem suas benesses num governo com mais de R$ 1 bilhão livres para gastar em suas bases eleitorais, que muito lhes atenderão em 2024 em suas campanhas à reeleição.


Mesmo com toda essa concentração de forças em eleger um só candidato, há quem diga que nada é garantido, embora seja uma tradição na cidade - e na política de um modo geral - eleger parentes e apaniguados de prefeitos nas eleições proporcionais às câmaras altas, à exceção de José Luiz Nanci, que não elegeu ninguém em 2018.


Os últimos eleitos para a Alerj com apoios dos prefeitos de ocasião foram Marcio Panisset (2006) e Nivaldo Mulim (2014). Este último, com mais de 65 mil votos só em São Gonçalo, num total de 105 mil votos obtidos no estado.


A ver. Sobretudo neste cenário polarizado, nacionalizado e plebiscitário das eleições mais importantes da História do Brasil.


Os ventos sopram a favor da oposição. A "arminha" embicou pra cima e virou "L" de... Ah, você sabe.

 

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Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.




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