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Belicosidade

Por Hélida Gmeiner

Foto: Reprodução internet
Foto: Reprodução internet

A semana no campo da Educação foi marcada por três fatos que vistos em perspectiva têm tudo em comum. Eu, que falo desse campo, não consigo deixar de apontar um fato pessoal que se relaciona aos três primeiros, me ajudando a pensar.


Vou começar pelo pessoal para compartilhar as percepções a partir desse meu momento. Estou devorando o novo livro do Pastor Henrique Vieira "o Jesus Negro". Analiso os três fatos públicos, envolvida por esse Cristo que combate as injustiças em busca da igualdade, que recusa a violência oferecendo a paz.


É portanto assim que estou analisando os ocorridos nesta semana. Primeiro, o governo federal finalmente anunciou, através de um decreto, o fim do programa federal de Escolas Cívico Militar. É um alento, uma conquista, e é coerente com um governo que anuncia a paz.



Quase no mesmo dia, um fato detestável, abjeto inclusive: A categoria que em alguns países é reverenciada, a dos professores e professoras, foi comparada a traficantes ou até pior que eles por um representante do Estado brasileiro. O dep. Federal Eduardo Bolsonaro, em discurso para uma multidão de apoiadores, ao fazer tal declaração, os incitou à violência contra nós, profissionais da educação. É fundamental , em nome da dignidade do Estado brasileiro que seja exemplarmente punido. Ao final, compartilho o link para o pedido de sua cassação.


A última ocorrência, como que a fazer uma costura obscura, levou à morte de mais um estudante uniformizado à caminho da escola, atingido pelas armas de militares. Djalma de Azevedo tinha apenas 11 anos e familiares afirmam que estava no espectro autista, por isso não teria se protegido. Deixo minha fraterna comoção a sua família, unindo voz aos que bradam: Até quando?


A fé espiritual, que a leitura me devolveu, permite alguma certeza de que há uma força capaz de unir os que se indignam para resistir, que conquistou o fim de um projeto que ensina a obedecer oprimindo, que valoriza mais as armas que a vida. E por isso, esse texto é convite e súplica: É tempo de construir a paz. E nosso tempo está se esgotando.



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Hélida Gmeiner Matta é professora da Educação Básica da rede pública. Pedagoga, Especialista em alfabetização dos alunos das classes populares, Mestre em Educação em Processos Formativos e Desigualdades Sociais e membra do Coletivo ELA – Educação Liberdade para Aprender.





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