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Com passos

Por D.Freitas

Foto criada no ChatGPT a partir de prompt humano no DeepSeek - Agência AB
Foto criada no ChatGPT a partir de prompt humano no DeepSeek - Agência AB

Nos últimos anos venho tentando ser um ser humano melhor. O primeiro passo foi tentar ser um filho melhor. Vinha sendo completamente ausente, principalmente desde que me mudei pra outro estado. Nunca fui de ligar pra alguém e sempre fui do tipo que esquece aniversário, não por não ter apreço, mas por não dar tanta importância para datas comemorativas. Minha mãe, por sua vez, comemora qualquer coisa que for possível e com a velocidade da comunicação atual com a internet, me ter presente na sua vida sempre foi algo importante, contudo, só percebi após alguns vários anos. Apenas desde o momento em que comecei a tentar ser um ser humano melhor.


O segundo passo foi cuidar de mim. Desde criança, sempre fui sedentário. Nunca gostei de brincar na rua, soltar pipa, jogar bola ou qualquer coisa do gênero, mas gostava de assistir. Pelo menos assim criei laços. Laços esses que me levaram até uma profissão que nunca pensei que estaria, há lugares que nunca imaginei que visitaria e a um hobby que, com certeza, eu não apostaria ter no passado: Academia. Muita gente, muito suor, música normalmente ruim e coisas duvidosas acontecendo pelos cantos. Não sei bem o que atraiu em tanta coisa repulsiva, mas nesse passatempo me habituei e fiz dele uma parte do meu cuidado pessoal. Com ele vieram mais alguns poucos amigos, algumas visitas de rotina ao médico para ver a saúde, uma alimentação (quase) invejável e um corpo aceitável. O suficiente para tropeçar antes do terceiro passo.


Esse tropeço tinha nome, uma identidade muito única e pouca estatura. Causou uma regressão do dobro de tempo que gastei tentando ser melhor e quando desabafei o que não me sentia muito bem com o que estávamos fazendo ela indagou o porquê. Tentei explicar que gostaria de ser melhor e ela perguntou “pra quem?” e eu não soube responder sinceramente. Inventei que era por minha família, por meus amigos ou até por mim, mas certamente não era nada disso e ela sabia. Sabia que eu não era bom (no aspecto moral geral), que eu não busquei realmente mudar e sabia o que era melhor pra mim em alguns momentos e nos nossos tropeços, estes momentos, sempre eram os melhores. 


Voltei para a caminhada com outro objetivo. Não de ser um ser humano melhor e sim apenas ser humano, em todos os aspectos primordiais. Quero errar, quero escolher, quero morrer um pouco a cada dia vivo e viver a cada dia antes que a morte chegue até a mim. Quero sentir na pele o arrepio que ela me causa toda vez que ela volta e o vazio toda vez que ela sai. Quero caminhar sem rotas, correr sem tempo e entre tropeços: passos de dança.


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Davi Freitas (D.Freitas) nasceu em São Gonçalo, cria da cultura gonçalense, desde sempre conviveu com músicos, poetas e escritores. autodidata, aprendeu violão e bateria sozinho e junto com o irmão Lucas Freitas fez algumas apresentações até ter, por motivos profissionais, que mudar de estado. Como escritor, participou, pela Editora Apologia Brasil da Antologia em Tempos Pandêmicos e inicia agora sua trajetória no mundo das crônicas e contos. 

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