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Dona de casa, Explorada e Desvalorizada - por Cristiana Souza


Reprodução Internet
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Vamos conversar sobre o trabalho doméstico?


Você já pensou que o trabalho que você realiza em sua casa poderia ser remunerado?


Segundo pesquisa do IBGE em 2019, a população com 14 anos ou mais de idade dedicava, em média, 16,8 horas semanais aos afazeres domésticos ou ao cuidado de pessoas, sendo 21,4 horas semanais para as mulheres e de 11,0 horas para os homens.


Ao longo dos anos várias pensadoras feministas vêm se dedicando a realizar importantes estudos e observações para analisar e esclarecer a questão da mulher e seu lugar na divisão capitalista do trabalho. E nesse sentido tivemos conquistas trabalhistas para o trabalho doméstico realizado para terceiros. Esse efeito, porém, não chegou para as donas de casa.



É óbvio que a mulher proletária, ou seja, a que labuta fora do ambiente doméstico, após uma jornada de no mínimo 8 horas de trabalho diário, ao chegar em casa, exausta, inicia outra jornada, sendo essa sem remuneração.


A sociedade patriarcal e capitalista exige das donas de casa uma capacidade de perseverança de Sísifo; realizando trabalhos intermináveis dia após dia.


A exploração da força de trabalho para nós mulheres se mostra muito mais cruel, pois ainda temos que enfrentar o machismo, o assédio sexual, moral e salários menores que dos homens exercendo a mesma função.



E no universo da desvalorização do trabalho realizado pelas donas de casa, é mais fácil ser percebido quando deixamos a pia cheia de louça, ao invés de quando ficamos com dores pelo corpo ao fazer aquela faxina de final de semana.


Como aponta a pesquisa citada, existem homens que realizam trabalhos domésticos, mas as mulheres continuam sendo maioria nessa função, pois o modelo patriarcal de família ainda se faz presente em nossa sociedade.



Citando a autora Mariarosa Dalla Costa, concordo com sua afirmação no que diz: "quando as mulheres são privadas de uma vasta experiência de organização e planejamento coletivo e outras lutas de massas, lhes é negada uma fonte básica de educação: a experiência da revolta social. E essa experiência é principalmente a experiência de aprender suas próprias capacidades, isto é, seu poder e as capacidades, o poder de sua classe".


Percebo o quanto nós mulheres precisamos nos apropriar da nossa fundamental participação no processo histórico de construção das relações sociais e trabalhistas, bem como as nossas possibilidades de criatividade e de desenvolver o trabalho o qual escolhemos, e se esse for ser dona de casa, que sejamos remuneradas para essa atividade.



É sempre necessário lembrar que toda conquista do povo foi através de muita luta. E nesse período tão sombrio da nossa história, onde existe um projeto de retirada dos nossos direitos, precisamos ter muita, mais muita força para não desistirmos de lutar por nossos direitos, liberdade, equidade e justiça social.

Cristiana Souza é Assistente Social.












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