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Nelson, um sujeito de sorte - por Helcio Albano


Ele/Foto: Reprodução Internet
Ele/Foto: Reprodução Internet

Quero registrar que o atual prefeito de São Gonçalo, Nelson Ruas (PL), é um sujeito de sorte. De cara, a vantagem de seu ofício e patente: policial, capitão da PM reformado. Perfil que o credenciou à bem-aventurança eleitoral nesses tempos de triunfo conservador, às vezes reacionário, de evidente viés militarista. Isso aliado à extensa folha de serviços prestados à comunidade, que dado o ajuizamento atual das coisas, veio a lhe premiar com o cargo máximo do município. “Zeitgeist”, de filosofia e reflexão profundas.



A sorte o acompanharia numa série de eventos mais ou menos aleatórios que o levariam à cadeira branca da Feliciano Sodré, 100. Entre elas, a ruína de Witzel, ainda no início de 2020, que desmantelou a candidatura do favoritíssimo Dejorge Patricio (PR), até a intrigante saída de combate, por Covid, na reta final do segundo turno, do idealizador e principal estrategista da campanha Dimas Gadelha (PT) na cidade, o ex-prefeito de Maricá, Washington Quaquá. Esse evento, admito, nem tão aleatório assim.



Já eleito e empossado prefeito, Nelson passa a ser o principal beneficiário do ajuste das contas da Prefeitura pelo seu antecessor José Luiz Nanci (Cidadania) e da dinheirama da venda da Cedae, papo de 1 bilhão de reais. Isso tudo é “fortuna”, como diz Maquiavel.



Mas aí vem a virtú, sem a qual nenhum governo se sustenta, que foi a criação de um fundo distinto pra salvaguardar o dinheiro de Cedae, jogada de mestre e cala-boca preventivo a críticas da oposição; a política de aproximação com o governador Claudio Castro (PL) e de distribuição dos “recursos escassos” da Prefeitura entre os vereadores, que deixa todo mundo [ou quase todo mundo] feliz.


Tudo isso regido pelo maestro phd-pós-doc em política, sócio majoritário do Centrão em Brasília, Sr. Altineu Côrtes F. Coutinho, presidente do PL do estado do Rio de Janeiro. Vê-se porque a vida da oposição anda difícil em São Gonçalo.


Pega a visão de 22...



Plus

E por falar em Quaquá. Tudo indica que o ex-prefeito de Maricá está mesmo disposto a ampliar, aprofundar e reproduzir o consórcio PL-PT, bem sucedido em Itaboraí nas eleições de 2020, para todo o estado nas eleições gerais de 2022.


Contrariando oficialmente a Executiva Nacional do PT, Quaquá tem sinalizado e dado declarações recorrentes de apoio à reeleição do atual governador Cláudio Castro (PL), dando a ele, inclusive, a "honra" de ser o primeiro entrevistado de sua revista "Rio Já", que deve ser lançada nos próximos dias.



Bônus

A guerra de movimento já começou para 2022. E um dos seus resultados é o troca-troca partidário, que já ocorre à luz do dia. O ex-vereador Marlos Costa sai do PDT para voltar ao PT, partido onde iniciou sua carreira e se elegeu duas vezes para a Câmara de São Gonçalo. Virá candidato a deputado estadual.


Outro que deve mudar de legenda, é o vereador Romario Regis, que deve deixar o PCdoB para ingressar no PDT.

Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.







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