Súcubo
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Súcubo

Por D.Freitas


Feito por IA
Feito por IA

Sonhei com você, e era aquele tipo de sonho que eu suavizo ao te contar, para que não faça mau juízo sobre mim — se é que ainda há como reparar minha imagem em sua cabeça. Sei que você gosta da banda podre. Sei que gosta de como eu te desconcerto, te causo desconforto e destruo sua imagem como membro da “família tradicional”.


Venho para demolir seu juízo, suas certezas e seus muros. Vim para ser o fio de nylon da roupa que te incomoda enquanto se mexe. Vim para ser a súcubo que te visita à noite e faz parecer tão real que te obriga a me ligar. Talvez tenha sido a sua vez de ser real em meus devaneios, pois estou aqui, te escrevendo esta longa mensagem para dizer que sonhei com você.


Foi aquele tipo de sonho que deixa marcas no lençol, ou que faz jogar aos ventos um nome em sussurros delirantes. Sonho em que algumas partes se apagam porque só fazem sentido se vividas, e outras são censuradas por serem impróprias para serem contadas antes das dez da noite.


Posso dizer que no sonho estavam suas costas torneadas, desenhando músculos enquanto você realizava uma tarefa doméstica comum. Todo seu corpo trepidava suavemente, quase imperceptível, quando fazia força — e isso me trouxe recordações de outros pequenos tremores, espasmos e reações que apenas olhos sensíveis poderiam ver. Ou o tato. Sempre preferi o tato.


Você me olhava, vez ou outra, sobre os ombros, provavelmente em dúvida sobre o que passava em minha cabeça, já que eu não desgrudava meus olhos de você. Talvez pensasse que viria de mim uma zombaria. Sempre teve o dom de me ler de forma errada e de subestimar o poder que tem sobre minha mente, sendo apenas você no cotidiano. Poder este que me fez prender aquele momento por tempo suficiente até que se tornasse um sonho.

Um sonho que tomou o caminho que eu certamente escolheria se tudo fosse real, mas que detestei por ser apenas uma ideia.


Não seria má ideia você me ligar depois de ler isso, embora tudo tenha consequências. Afinal, o que seriam dos sonhos sem a possibilidade de se tornarem reais? Que tortura seria se tudo isso não se tornasse real?


Não seja tão ruim. Não ligo que faça mau juízo de mim. Pensando bem… depois que decidir vir até aqui, faça o que quiser de mim.


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Davi Freitas (D.Freitas) nasceu em São Gonçalo, cria da cultura gonçalense, desde sempre conviveu com músicos, poetas e escritores. autodidata, aprendeu violão e bateria sozinho e junto com o irmão Lucas Freitas fez algumas apresentações até ter, por motivos profissionais, que mudar de estado. Como escritor, participou, pela Editora Apologia Brasil da Antologia em Tempos Pandêmicos e inicia agora sua trajetória no mundo das crônicas e contos. 

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