O Que é Corrupção?
- Jornal Daki

- 30 de jul.
- 3 min de leitura
Por Odimar Junior

Aproximam-se as eleições. Ânimos já entusiasmados elevam-se mais ainda. Opositores acusam-se mutuamente de corruptos, termo que tomou o sentido de quem pratica assalto à coisa pública, desvia dinheiro, rouba. Contudo, o termo é muito mais abrangente. Vejamos, por exemplo, o salmista que inicia o seu cântico rogando a Deus que o proteja, afirmando que não é idólatra e bendiz ao Senhor por ter certeza de que ele não permitiria que “o teu santo veja corrupção” (Sl 16:10)[1].
A primeira vez que li isso, confesso que não entendi muito bem por que o salmista colocava no mesmo verso o mundo dos mortos e a corrupção. Fui investigar. Descobri que corromper tem a mesma raiz de romper, mas reforçada pelo prefixo “com / co” que, aqui, intensifica o ato, ou seja, é o ato de quebrar completamente, destruir.
Nesse sentido, o salmista está dizendo que o seu Deus não o deixaria para sempre no mundo dos mortos e que seu corpo não sofreria a deterioração. A Nova Versão Internacional de 2011 simplificou bem isso traduzindo assim: “porque tu não me abandonarás no sepulcro, nem permitirás que o teu santo sofra decomposição.”
Mas por que eu começo esse texto falando de corrupção, política e passo para a Bíblia? Minha tese é que aqueles que pela primeira vez, em Antioquia, foram chamados de cristãos (At 11:26), por serem seguidores do Cristo, têm deixado de segui-lo, de procurar imitá-lo. Com isso, corromperam a fé, o ensino e a ética cristã. Destruíram completamente a fé propagada por Jesus de Nazaré, por seus apóstolos e santos.
Corrompem a fé quando ela deixa de ser a confiança inabalável em Deus e se torna magia para se conseguir o que se quer a qualquer custo, passando por cima de qualquer um.
Destroem o que Jesus ensinou sobre amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo quando não querem receber o estrangeiro, odeiam os que pensam e agem de modo diferente e praticam a tortura e o homicídio em nome de Jesus.
A ética cristã baseada no princípio do amor ao próximo e de fazer a ele o que queremos que nos seja feito (Mt 7:12; Lc 6:31), de amar e orar pelos inimigos, sofreu a mais completa putrefação. Nunca imaginei que um dia eu veria nos jornais a prisão de um pastor dono de uma empresa de cigarros. Jamais passariam pela minha imaginação igrejas ligadas ao tráfico e à milícia.
Acabou!
E por que estamos vendo um nível tão alto de corrupção, de destruição, de putrefação?
Jesus, o Cristo, estava no deserto. Passava por todo tipo de privação. Eis que aparece diante dele o tentador, mostra-lhe todos os reinos do mundo e lhe diz: "Tudo isto te darei se te prostrares e me adorares" (Mt 4:9). Jesus recusou, mas alguns líderes religiosos correram após Satanás, prostraram-se e lhe disseram: “Nós queremos, queremos muito o que Jesus não quis! Dá-nos poder! Dá-nos os reinos deste mundo!”
Corromperam-se e seguem corrompendo seus seguidores.
"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas, porque percorrem terra e mar para fazer um convertido e, quando conseguem, vocês o tornam duas vezes mais filho do inferno do que vocês.” (Mt 23:15 – NVI)
[1] Versão Almeida Corrigida e Fiel.
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Odimar Junior, maratonista amador e que deseja continuar correndo por muitos anos, a menos que o joelho impeça.








































































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