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Casos de 'justiça com as próprias mãos' crescem 25% no Rio; vigilantes faziam rondas irregulares em Copacabana

Estado registrou 504 ocorrências de exercício arbitrário das próprias razões no primeiro trimestre de 2026. Investigação apura atuação de seguranças privados que patrulhavam ruas sem autorização


Foto: reprodução
Foto: reprodução


O número de casos de pessoas que decidem agir por conta própria diante de supostos crimes aumentou no Estado do Rio de Janeiro. No primeiro trimestre de 2026, foram registradas 504 ocorrências de exercício arbitrário das próprias razões, um aumento de 25% em relação aos 402 casos contabilizados entre janeiro e março do ano passado. A média chegou a 5,6 registros por dia. Em todo o ano de 2025, o estado contabilizou 1.609 ocorrências desse tipo.


Os números ganham peso em meio à investigação da morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, espancado em Copacabana após ser acusado, sem provas, de ter roubado uma bicicleta que pertencia à sua irmã. O caso revelou a atuação de homens contratados para prestar segurança a estabelecimentos comerciais e que circulavam pelas ruas do bairro em aparente patrulhamento. Imagens mostram esses profissionais percorrendo vias de Copacabana com cassetetes.


O patrulhamento de vias públicas não pode ser assumido por grupos particulares. Empresas e profissionais de segurança privada precisam de autorização da Polícia Federal, e as atividades permitidas têm limites definidos. Rondas em ruas para atender comerciantes, fora das hipóteses previstas, podem ser enquadradas como segurança privada clandestina. A prestação ou contratação irregular do serviço pode resultar em multas.


A 12ª DP (Copacabana) investiga quem contratava e coordenava os homens que atuavam no bairro. Pelo menos uma pessoa ligada à contratação já foi identificada, e comerciantes que utilizavam o serviço deverão ser ouvidos.


A polícia busca esclarecer quem pagava pelas atividades, quais orientações eram dadas e até que ponto os contratantes conheciam a atuação dos seguranças. Depoimentos mencionam grupos de WhatsApp usados para organizar o serviço e a possível participação de um policial militar, circunstância ainda em apuração.


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