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Para todos um Natal de Paz em Cristo e comida na mesa - por Helcio Albano


Jesus momento antes do calvário/Reprodução Internet
Jesus momento antes do calvário/Reprodução Internet

Há dois mil e vinte e um anos, segundo um arranjo oportunista de calendário feito pelo imperador romano Constantino no século 4, nascia o galileu mais famoso do mundo.


Um menino de pele escura, agora se sabe, assim como todo povo sofrido da Palestina. De família pobre e modesta, que mudaria para sempre a história da humanidade. Seu nome: Jesus Cristo.


O Filho do Homem. O Filho de Deus. Ou o próprio Deus, segundo descrição das Escrituras ou como é compreendido nas mais diversas - por vezes antagônicas - doutrinas ou apologéticas teológicas do Cristianismo, para o bem ou para o mal.


Minha mãe (e minha irmã, sua filha primogênita - que Deus a guarde) é Testemunha de Jeová. Fui alfabetizado pelas letras da Tia Beth no Célia Peniche e pela Bíblia nos estudos duas vezes por semana em minha casa.


A leitura permanente da Bíblia é condição sine qua non pra você ser um “Irmão”, frequentar o Salão do Reino e, finalmente, se batizar. Interessava-me menos no Grande Livro passagens inverossímeis, e até engraçadas, que sempre entendia como alegorias, e mais os ensinamentos éticos de seus personagens. Por isso elejo os livros de Jó e Eclesiastes como os melhores da Bíblia. Que contam histórias de homens filhos de homens. O de João, o “Novo”, o mais elevado e cercado de mistérios incompreensíveis a este ser imperfeito que vos escreve.



Como disse, me interessava nas Escrituras seus ensinamentos éticos, muito mais que moralismo barato e cagação de regra. Jesus foi Jesus, e depois O Cristo, porque carregava o peso do Mundo em suas costas. Isso é uma responsabilidade ética que poucos estão a fim de dividir e muito menos carregar.


E o que é o peso do mundo? Nada muito diferente visto naquela Palestina e que persiste hoje: a injustiça, a fome, a miséria, a violência, o desemprego. E quando tudo isso é apontado, inevitavelmente chegamos aos culpados. Então, por imposição ética, devemos mudar tal estado de coisas. E todo movimento a partir disso passa a ser um ato político, que esbarra no poder de manutenção do status quo. Naquele período representado pelo Império Romano de ocupação, mas principalmente pelos fariseus, os que realmente sujaram as mãos de sangue, diferentemente de Pôncio Pilatos, que as lavou. Mas as duas ações complementares que mataram um inocente, que viria ressuscitar em triunfo três dias depois.


Jesus andava com pobre, puta, petista (ops! não tinha petista ainda naquela época) para denunciar as injustiças e anunciar uma nova ordem baseada no Amor e na Justiça. E só é possível amar quando permitimos esvair de nós a vaidade, o narcisismo que nos arruína. Tudo isso impede em nós a empatia. E sem empatia, não há Amor, o mais nobre e transcendental dos sentimentos.


Durante muito tempo não compreendi esse mandamento do Cristo em Mateus 5:48: “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus”. Sempre achei uma coisa extraordinária, que jamais poderia alcançar. Mas sempre esteve, o tempo todo, ao meu alcance. Assim como o próprio Cristo: o Amor.


Deus é Amor. Cristo é Amor. E a gente, o Homem dessa história, também pode ser Amor. Aí sim, tudo fica perfeito!


Feliz Natal. Na paz de Cristo e comida na mesa.


PS: Essa é a minha última Coluninha do ano. Que 2022 nos seja leve. Até lá!

Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.




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