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Ponderações sobre a abertura do Teatro Municipal de São Gonçalo - por Cleise Campos


Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Assisti um belo espetáculo dia 04/09/2021, no Teatro Municipal de São Gonçalo, com parabéns aos artistas que brilharam no palco (Grupo Metaphoras - Espetáculo de Dança Intervenções), e para diretora Elizete Mascarenhas, uma das referências em Dança da cidade, que me convidou para apresentação. É indiscutível a beleza dos espetáculos e o quanto abertura do Teatro Municipal é um ganho para toda cidade. Ponto para o Governo atual, que finalmente abriu o valioso equipamento cultural.


O Governo Nelson Ruas tem recebido elogios em alguns setores (conheço várias pessoas qualificadas trabalhando na Educação e na Saúde, por exemplo), garantindo vários quadros técnicos em pastas estratégicas. Postura acertada que foca no desenvolvimento e efetivação de politicas públicas que tanto nossa cidade necessita.



Na pasta da CULTURA, o cenário tem sido outro: a grande maioria da equipe que assumiu em janeiro/2021 não apresenta qualificação para gestão cultural (o vereador licenciado que é o atual Secretário, quis extinguir a pasta meses antes, achando que não valia de nada). Sem pessoal qualificado para operar efetivamente o Sistema Municipal de Cultura (LEI Nº 569/2014, publicado em 2014), e cumprir o Plano Municipal de Cultura de São Gonçalo (LEI N° 858/2018, publicação em 2018), fica evidente o atraso na pauta cultural, que ainda deve ampliar o diálogo com boa parte dos representantes do setor cultural da cidade. Na preocupação extra, fato que envolve o Teatro Municipal, recém-aberto:


Numa fala pública, registrei profunda indignação ao saber que os dançarinos não receberam cachê pelo belo espetáculo naquele sábado à noite. Na mesma fala do assessor da Cultura/PMSG, presente no Teatro representando o Secretário Lucas Muniz, anunciou alguns nomes de fora para as próximas atrações no Teatro Municipal ("famosos", como disse o assessor).



Perguntei, sentada da plateia: Esses famosos, de fora, se apresentam sem cachê no Teatro Municipal de São Gonçalo, como os artistas da cidade? Pela minha manifestação pública, indignada de saber da ausência de cachê para os dançarinos de SG, ouvi uma fala pouco educada, algumas inverdades e ameaças do assessor, dizendo que eu "nunca me apresentaria no palco do Teatro Municipal, durante o governo Nelson Ruas".


Uma saga a vida de Artistas de São Gonça....


De fato, nos assuntos da Cultura, é preciso teimar. Repetir, entra ano e saí governo, que Cultura É Direito (talvez ainda desconheçam a Constituição Brasileira de 1988).



Agradeci a nossa Conselheira Estadual de Política Cultural do RJ/ Leste Fluminense – Arethuza Dória, pela sua atenção em alertar, dias depois, que esse fato se deu em função de um “trato acordado” entre a Prefeitura/Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, e ALGUNS artistas de SG, onde não teria pagamento de cachês, em troca de agenda futura no Teatro, com cobrança de bilheteria, ou aluguel menor do espaço [seria um “trato de gaveta", sem assinatura? Não existe parâmetro legal para tal procedimento na esfera pública].


Fiquei muito desapontada: a Prefeitura, através da Secretaria de Cultura, com uma proposta dessas, e alguns dos artistas toparam. O Teatro Municipal, que de anos e anos aguardamos, deve ser administrado com modelo de gestão contemporâneo, não deve servir para atender interesses políticos, ou mandonismos. Será que o Prefeito está ciente deste cenário?



Para funcionar, como espaço público que é, o Teatro Municipal deve adotar um modelo de gestão que garanta a presença democrática dos artistas gonçalenses, dos variados segmentos, através de seleção via edital público para ocupação de pauta, e/ou residências, e ainda, obviamente, atender a população que tenha interesse de assistir os espetáculos (por enquanto, somente quem ganha convites tem acesso ao Teatro). Notório observar a urgente necessidade da adoção de medidas com transparência da gestão pública, que em se tratando da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura de SG, não tem sido realidade (sequer disponibilizam telefone fixo ou respondem e-mails).


Importante garantir uma discussão na Comissão de Cultura dos Vereadores da Câmara: como o Teatro Municipal será gestado, após esse mês de aniversário da cidade? Será que esses acordos, com um ou outro grupo, foi discutido no Conselho Municipal de Política Cultural de SG, que agrega representantes da sociedade civil e do poder público?


Como pode o Secretário Municipal de Cultura propor aos artistas da sua própria cidade, se apresentar no Teatro Municipal, sem receber, em plena pandemia? Durantes esses meses, onde muitos artistas estão sem trabalhar, a Prefeitura não operou programa e/ou projeto específico em apoio ao Setor Cultural (os dinheiros da Lei Aldir Blanc que socorreram tantos artistas, são do FUNDO NACIONAL DA CULTURA, e iniciativas recentes do Governo Estadual, via Fundo Estadual de Cultura do RJ).


Alguém abastece carro ou paga passagem de ônibus, sem dinheiro?

Alguém compra pão, sem dinheiro?

Alguém consegue comprar remédio, sem dinheiro?



Estamos de volta aos séculos passados, em condição desumana de trabalhar, sem receber? Práticas antigas precisam ser abolidas, tipo fazer folheto de divulgação ou troca de favores (como a “garantia” de nova agenda no Teatro Municipal, com valor inferior de aluguel, e/ou maior percentual de bilheteria).


Se alguns artistas concordaram com esse acordo, não devem falar pelo setor cultural da cidade. Esse expediente não foi discutido nos vários fóruns e coletivos da cidade, como no Fórum Gonçalense de Cultura (criado em 1999), onde vários Colegas da Arte & Cultura não concordam com esse acordo de gaveta da pasta da Cultura do Governo Nelson Ruas.


Ficou sem resposta minha pergunta ao assessor da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, sobre a presença de "famosos" no palco do nosso Teatro Municipal: Eles também estarão na cidade, sem receber cachê, como os artistas de São Gonçalo?



Cleisemery Campos da Costa (Cleise Campos), 57 anos. Moradora de São Gonçalo, atriz Bonequeira do Teatro de Bonecos Trio de Três (criado na cidade gonçalense em 1988), e Professora de História, Filosofia e Sociologia. E-mail: praiadaluz64@gmail.com




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