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O 'Careca de Jundiaí' dá as cartas em São Gonçalo, por Helcio Albano


Governador, prefeito e deputado em cerimônia de implantação do Segurança Presente, no Allcântara

O governador Wilson Witzel (PSC), advogado, ex-defensor público, ex-juiz, ex-professor universitário, ex-fuzileiro naval e trompetista nas horas vagas, nasceu mesmo para a política.


E embora tenha realizado outras atividades que exigem um mínimo de vocação, é como político que vem à tona todo o seu talento vulpino, que o leva além num ambiente tão traiçoeiro e inconstante no estado mais instável politicamente do país. Um território, literalmente, minado.


De ilustre desconhecido a um dos principais atores da política nacional, rivalizando, inclusive, com o novo inquilino do Alvorada, o ‘Careca de Jundiaí’ terá influência seminal e avassaladora nas eleições que se avizinham, a despeito do seu estilo que varia do cínico ao extravagante-narcisista.


E essa ascendência política já pode ser observada e constatada em São Gonçalo.


Vejamos:

Witzel mima publicamente o ex-vereador Dejorge Patrício - já presenteado por ele com um cargo de direção na Cedae - ao levá-lo a tiracolo em suas andanças pela cidade, a ponto de quebrar protocolos comezinhos de etiqueta, ao humilhar o atual prefeito e anfitrião José Luiz Nanci (Cida), pelo menos em duas ocasiões em que participou recentemente, ambas no Alcântara, envolvendo o tema da segurança pública.


Aqui, abro um parêntese:


Arrogante e calculista, Witzel não esconde o desprezo por um Nanci desgastado e impopular, e por isso age com frieza assemelhada à psicopatia, fazendo crer que o atual mandatário da cidade é irrelevante e carta fora do baralho. Busca, assim, criar um campo de atração que funcionaria como isca aos que ambicionam tomar o seu lugar, forçando a sua capitulação e um acordo em que o Careca dará as cartas com boa parte do centro político capturado pela direita.


Fecho parêntese.


Mas se Patrício aparenta ser o seu Plano A, têm-se os planos B, C, D, e o que mais do alfabeto alimentar sua megalomania a partir de uma política militarizante da sociedade, perigosamente assimilada pelo povão, basta acessar os mapas eleitorais de 2018 em São Gonçalo para se dar conta do tamanho do fenômeno, que não retroage.


Isso fica claro, por exemplo, nos afagos de Witzel ao deputado Capitão Nelson (Avante), que já dá sinais evidentes de um voo solo em relação ao prefeito Nanci, que acena a interlocutores a possibilidade de retirar seu time de campo em favor do policial militar reformado.


Também orbitam o campo de atração do governador, embora com menor intensidade, o presidente da Câmara e ex-policial, Diney Marins (Cida), que teria sido convidado por Witzel a se filiar ao PSC, o que explicaria sua aproximação com as pautas da 'bala' em 2019, e o Coronel Salema (PSL), ainda bastante ligado à família Bolsonaro, que pode participar de uma composição tanto na terrinha quanto em Niterói.


Uma chapa desse campo unido, independente do nome a encabeçá-la, é presença certa no segundo turno, quiçá! de vitória já no primeiro tento das eleições, se as forças de centro-esquerda também não caminharem unidas desde o primeiro turno, o que parece ser improvável.


No fundo, Witzel mira na ‘cabecinha’ de 2022, e precisa preparar o terreno fértil de votos de São Gonçalo, o 2º maior colégio eleitoral do estado do Rio de Janeiro.


Nenhuma novidade.


O maior desafio da nova raposa, porém, é ocupar o espaço do bolsonarismo no Rio. Que não está vago e tem outra pegada.


Plus

Reprodução TV Globo

Uma matéria veiculada nesta quinta (30) no RJTV 1, da Rede Golobo, atribuída ao ex-vice prefeito Ricardo Pericar (PSL), movimentou o ambiente político de São Gonçalo. Nela, havia a denúncia de envolvimento de parentes do vereador Jorge Mariola (PHS) em supostas irregularidades e falcatruas com a Prefeitura, envolvendo contratação de serviços, nomeações a cargos públicos e aluguel de imóveis por valores que seriam acima dos de mercado.


Em nota dura, Vivian Engel Gasco, filha de Mariola, rebate as acusações, chama Pericar de ‘fujão’ e sugere vingança contra o pai, que votou contra a licença de Pericar como vice para assumir como suplente a vaga de deputado federal de Major Fabiana.


Bônus

De um amigo próximo do prefeito José Luiz Nanci: “As vaias que o Zé recebeu na inauguração do Centro de Tradições Nordestinas, em Neves, tocaram fundo nele. Sentiu que não dá mais pra ele em São Gonçalo”.


E um vereador da base do governo deu a real dimensão da solidão do prefeito ao se negar a fazer depoimento em vídeo elogiando o governo pela construção do espaço. Disse ele: "Se eu aparecer elogiando o governo, não me reelejo em outubro".

Helcio Albano é jornalista e editor do Jornal Daki.



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