Modelo de lojas físicas está na berlinda após anos de expansão acelerada
- Jornal Daki

- há 6 horas
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Casas Bahia, Marabraz e GPA estão entre as redes que fecharam unidades ou recorreram à recuperação judicial, pressionadas por juros altos, crédito mais caro e mudança no comportamento do consumidor

O modelo de crescimento baseado na abertura acelerada de lojas físicas perdeu força no varejo brasileiro. Grandes redes como Casas Bahia, Marabraz e Grupo Pão de Açúcar (GPA) passaram a rever suas estratégias diante de um cenário de juros elevados, crédito mais restrito e um consumidor mais cauteloso.
Nos últimos dias, Casas Bahia e Marabraz recorreram à recuperação judicial. A Casas Bahia tem um passivo de R$ 17,3 bilhões, enquanto a Marabraz possui dívidas de R$ 140 milhões. O GPA optou por uma recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas e reduziu sua presença física após a venda de unidades do Extra Hiper. A rede Dia, por sua vez, saiu da recuperação judicial em junho após fechar 343 lojas.
O custo de manter uma operação enorme e espalhada pelo país tornou-se o principal desafio. Cada nova unidade aumenta gastos com aluguel, funcionários, logística e estoque. Em um setor de margens apertadas, qualquer aumento relevante de custos prejudica o resultado. “A expansão física hoje só é viável em alguns nichos. O modelo tradicional de abrir loja em todo lugar está em decadência”, afirma Ulysses Reis, especialista em varejo.
O ambiente econômico também pesou. A taxa Selic, que chegou a 2% em 2020, subiu para 15% em julho de 2025, encarecendo o endividamento das empresas. Além disso, o consumidor passou a buscar preços menores, comparar mais antes de comprar e planejar as compras com antecedência. Segundo a NielsenIQ, 66% dos consumidores buscam opções de menor preço.
Diante desse cenário, o varejo tende a abandonar o modelo baseado apenas em grandes lojas e deve apostar em formatos menores, mais próximos do consumidor e integrados ao ambiente digital. As lojas físicas devem funcionar cada vez mais como pontos de conveniência, retirada de produtos e apoio logístico.
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