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Igrejas rompem com o conservadorismo e realizam casamentos homoafetivos

Pastores e pastoras de diversas denominações evangélicas têm realizado casamentos entre pessoas do mesmo gênero e celebrado a diversidade em nome de Deus

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal


A notícia de que o deputado e pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) celebrou, neste sábado (6) o casamento entre duas mulheres, uma advogada e uma psicóloga, em Brasília (DF), repercutiu nas redes, causando por um lado empatia e alívio, daqueles que defendem a plena liberdade de direitos e celebram o amor, seja em qual configuração se dê e os fundamentalistas religiosos, que sempre se aproveitam de fatos como esse para reforçarem seus preconceitos e lançarem suas interpretações carregadas de julgamento e até mesmo ódio. Henrique é pastor da Igreja Batista do Caminho, no Rio de Janeiro.



O que pouca gente sabe é que, já faz algum tempo, pastores e pastoras de diversas igrejas do campo evangélico celebram as uniões homoafetivas, e não estamos falando apenas das igrejas chamadas “inclusivas”, que nascem no contexto da celebração da homoafetividade, como a Igreja das Comunidades Metropolitanas e Igreja Contemporânea, mas de lideranças e comunidades que fizeram parte das convenções conservadoras e, em algum momento, romperam com uma visão conservadora e caminharam numa outra perspectiva bíblico-teológica, onde a celebração da diversidade sexual e de gênero não é só “aceita”, mas vivida e celebrada.



Na Bahia, a Igreja Batista Nazareth há anos também celebra a diversidade em seus cultos e reuniões, tendo até mesmo a Coletiva Benedites, grupo de pessoas LGBTQIAPN+ que fazem parte da igreja e realizam de tempos em tempos cultos e celebrações com a temática da diversidade sexual e da celebração a Deus em meio à diversidade. Pastor titular da igreja, Joel Zefferino, que também é conhecido pela luta do diálogo inter-religioso também já celebrou uniões homoafetivas e falou com a Fórum sobre o trabalho da comunidade:



"O casamento igualitário na Igreja Batista Nazareth, que há mais de 15 anos promove acolhida plena ao público LGBTQIAPN+, foi só mais uma questão nas demandas da comunidade (...) a compreensão, que foi se dando a partir de diálogos e formações internas e externas, ficou expressa numa frase simples e direta: não existem membros de segunda categoria na Igreja. Inclusive fazem parte tanto da membresia, como do colégio pastoral (temos dois pastores cis, gays, no nosso colegiado pastoral. Aliás, no dia de hoje completa dois anos da Consagração ao pastorado do teólogo André Musskopf). “


Zé Barbosa Junior, pastor da Comunidade Batista de Jesus, em Campina Grande (PB) também é outro que já celebra uniões entre pessoas do mesmo gênero desde 2017 e sofreu diversas agressões em suas redes sociais por conta disso. Zé Barbosa, que também é colunista da Fórum e apresenta o programa Papo de Fé na TV Fórum todas as segundas-feiras às 20:15, criou em 2015, junto com outros amigos, o movimento “Jesus cura a homofobia”, quando cristãos de diversas denominações religiosas foram à Parada do Orgulho de São Paulo “pedir perdão à comunidade LGBQIAPN+ pelas violências sofridas em nome de Deus”. Dias depois, o pastor que havia realizado o batismo de Zé Barbosa fez um comentário em uma das fotos publicadas onde dizia “ter nojo” de tê-lo batizado.


Apesar das violências sofridas, essas e outras lideranças e igrejas evangélicas seguem firme na proposta de enfrentarem o fundamentalismo e, em nome de uma fé libertária e libertadora, promoverem a pregação do amor como o mandamento maior e do respeito à dignidade humana e às diferenças e diversidades humanas como manifestação da criatividade divina e de uma forma de viver o Evangelho que seja alentadora, acolhedora e carregada de afeto. Pelo jeito, nem tudo está perdido no horizonte e no universo evangélico brasileiro.


*Com informações Revista Fórum


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