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Ativista de 73 anos diz que nunca viveu tempos tão perigosos como na era Trump

Cofundadora da Code Pink, Medea Benjamin compara perseguição a macartismo, denuncia repressão a movimentos e teme que eleições de meio de mandato nos EUA sejam contestadas


Medea Benjamin: ‘Trabalho de todo estadunidense é expor a máquina de guerra’ | Crédito: Reprodução/Facebook
Medea Benjamin: ‘Trabalho de todo estadunidense é expor a máquina de guerra’ | Crédito: Reprodução/Facebook


Cofundadora da organização pacifista Code Pink, Medea Benjamin, 73 anos, afirmou que nunca viveu tempos tão perigosos quanto os atuais nos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump. A ativista, que já foi presa cerca de 60 vezes, visitou o Brasil para participar da Flipei e concedeu entrevista ao Brasil de Fato.


Benjamin compara a perseguição política atual ao macartismo, mas avalia que a repressão atual é mais ampla. Manifestantes contra violência policial são classificados como “terroristas domésticos”, e grupos ambientalistas e antifascistas também são alvo da designação, o que permite processá-los em instâncias superiores. Organizações como a Code Pink são investigadas pelo Departamento do Tesouro por suas campanhas de solidariedade a Cuba, e jornais alternativos recebem intimações. Grupos palestinos são acusados de ligações com Hamas e Hezbollah.


A ativista critica a influência do lobby israelense na política americana, especialmente via “PACs” eleitorais. Ela cita o caso de Michigan, onde um candidato progressista pró-Palestina derrotou uma adversária apoiada pelo lobby, que recebeu cerca de US$ 32 milhões do setor. Apesar da disparidade de recursos, Benjamin vê avanços e defende a disputa de espaços de poder. “Temos que usar toda ferramenta que você tem, inclusive a eleitoral”, afirma, ressaltando a necessidade de aliar pressão interna e externa.


Sobre o cenário externo, ela denuncia a “máquina de guerra” dos EUA, que considera mais poderosa que o próprio presidente. Apesar das promessas de paz de Trump, Benjamin afirma que o segundo mandato foi uma “insanidade”. Ela também teme que as eleições legislativas de meio de mandato em novembro “não ocorram ou sejam muito contestadas”. “Não me lembro de viver tempos tão perigosos”, conclui.


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