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Assédio eleitoral no trabalho é prática institucional, aponta pesquisa inédita do TST

Estudo analisou 138 processos e revelou que, em 90% dos casos, a coação partiu da própria estrutura organizacional, e não de um chefe isolado


- Reprodução/ redes sociais Jair Messias Bolsonaro
- Reprodução/ redes sociais Jair Messias Bolsonaro


Pesquisa inédita do Tribunal Superior do Trabalho (TST) mapeou as formas mais comuns de assédio eleitoral no ambiente de trabalho. O estudo analisou qualitativamente 138 processos judiciais de todas as regiões do país e revelou que, em nove de cada dez casos, a pressão não parte de um chefe isolado, mas da própria estrutura organizacional da empresa.


A tática mais recorrente, presente em 81,9% dos casos, foi o chamado “terror psicológico”: a disseminação de narrativas alarmistas sobre resultados eleitorais, associando a vitória de determinado candidato ao fechamento de empresas, à perda de empregos ou ao colapso econômico. O objetivo é transformar a escolha do trabalhador em uma ameaça à sua própria sobrevivência financeira.


O ambiente digital é o principal canal de execução dessas práticas, presente em 67,4% dos processos. O WhatsApp aparece como a ferramenta mais utilizada. Os casos incluem a criação de grupos corporativos para propaganda político-partidária, o envio obrigatório de conteúdos eleitorais e até a exigência de que funcionários coloquem “santinhos” em seus status pessoais.


A pressão econômica esteve presente em 61,6% dos processos. As formas variam entre ameaças de demissão, corte salarial, perda de função ou benefícios, e promessas de recompensas financeiras vinculadas ao alinhamento político com o empregador. O mecanismo combina punição e incentivo para usar a relação de dependência econômica como alavanca sobre a liberdade de escolha do trabalhador.


O estudo revela um padrão estruturado de vigilância e coerção, com monitoramento sistemático das redes sociais dos empregados e fiscalização do posicionamento político de cada um.


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