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O mar - por Paulinho Freitas

SÃO GONÇALO DE AFETOS

Foto: Acervo pessoal
Foto: Acervo pessoal

O mar sempre esteve presente na minha vida. Está dentro de muitas pessoas que não conseguem viver sem estar perto dele. Parece o coração pulsando vida. Tem pessoas que vão à praia mesmo quando o céu está marrom e a chuva vem lamber-lhes as ondas. Histórias infindáveis sobre feitos heroicos sobre e sob as águas são narradas e encantam seus ouvintes e leitores.


Amores inesquecíveis da adolescência em suas areias povoam as mentes e provocam rubores de face, tremores nas pernas, sorrisos cínicos, mordidas nos lábios e um profundo desejo de viver novamente aquele momento, àquela hora, aquele inesquecível dia ou aquela memorável noite. Ah o mar...! Grandes nomes de nossa literatura e música viveram e criaram suas maravilhosas obras à beira-mar ou perambulando por diques e cais por todo nosso litoral. O mar é fascinante!


Temos, eu e o mar, uma estranha relação de amor, respeito, medo e conforto. Sempre que estou triste gosto de ficar de frente para o mar, vendo as ondas indo e vindo, parecem conversar comigo me dizendo que o que sinto vai passar e logo, logo as coisas melhoram.



Quando enfrento situações que considero impossíveis de resolver, uma molhada nos pés, nuca, cabeça e pescoço é um santo remédio, parece que a solução entra pela pele e vai até o cérebro e volto para casa com o peito em festa.


Cresci vendo as pessoas na beira do mar se banhando ali na praia do Barreto, da antiga praia da Esso, descarregando pescado no cais do Valter Arraia ou na praia da Tamarineira, Pescando siri na praia da Yamagata e Cassinu. Fazendo currais para peixes na praia das Pedrinhas, tendo a certeza de que Deus existe ao contemplar a praia de São João, praia da Luz e a ilha de Itaoca.


Numa manhã de pescaria com meu pai ele me perguntou se eu gostaria de aprender a nadar e eu disse que sim. Ele simplesmente virou a canoa em que estávamos e foi para a margem. Enquanto eu me debatia ele gritava me incentivando a nadar. Tentava eu de todas as formas não afundar me debatendo e gritando e ele gargalhando lá na margem.



Depois de algum tempo percebi que meus pés tocavam o fundo d’água. A canoa virada a meu lado nem se mexia, estava apoiada na areia. Agora morro de rir daquele dia, mas na hora foi punk. Acho que é por isso que vou à praia e não entro na água, molho o rosto, a cabeça, a nuca e os pés.


Faço minhas orações pedindo ao criador por todos nós e por aqueles que infelizmente não fazem mais parte de nossa vida terrena. Olho para o mar como se estivesse olhando para o meu pai, com muito amor e respeito. Olho para as pessoas que dentro dele se divertem, por ele vivem, para ele trabalham, dentro dele se refrescam, namoram e se enamoram e fico pensando como um ser como o mar, que alimenta o corpo e a alma do ser humano é vítima de tantos maus tratos e sofrimento de tentativas seguidas de assassinato todos os dias.


Se houver, eu acredito que há, vida inteligente em qualquer lugar do universo deve estar estudando a gente para que não se repita no planeta deles a catástrofe que está prestes a acontecer com o nosso. O alerta é pra geral! Salve o mar! Odoyá minha mãe!!!!!

 

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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor.




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