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Personagens: Bolinha

SÃO GONÇALO DE AFETOS


Por Paulinho Freitas

O saudoso Bolinha/Foto: reprodução
O saudoso Bolinha/Foto: reprodução

José Gualberto ninguém conhece, mas se perguntar onde ficava o Bar do Bolinha, qualquer criança responde  sorrindo: Rua da Brahma, esquina com a Lafayete. Bolinha é uma daquelas figuras que passam pela vida, mas sua vida não passa pelas pessoas sem deixar sua marca no coração delas. No bar de Bolinha não havia atendente, quem quisesse alguma coisa tinha que pegar na prateleira ou na geladeira, ele dizia que não era garçom. Ninguém naquele Porto Velho lembra de Bolinha sem contar um acontecimento engraçado.  


Uma ou duas vezes por ano rolava o Bingo do Bolinha, com  prêmios diversos. Numa dessas o primeiro prêmio era uma televisão de 29”, o ganhador quando viu o prêmio foi reclamar com Bolinha:


_Pô Bolinha, essa marca ninguém conhece, da onde você tirou isso? 


BOLINHA falava e assobiava ao mesmo tempo. Sem perder a calma, pegou um panfleto que fazia a propaganda do bingo e mostrou ao cara dizendo:


_ Aqui diz que a televisão é de 29”, não diz a marca, leva seu prémio e seja feliz. 


O carnaval de Bolinha, ao contrário do nosso, tinha um calendário diferente. Quando todos pensavam em festa junina, caipiras, quadrilhas e balões, Bolinha já estava rodando a Região dos Lagos procurando uma casa de aluguel para passar as festas de Momo. 


Numa dessas, ele e o aeronauta Denil tentavam alugar uma casa em Arraial do Cabo e o proprietário perguntou quantas pessoas viriam para ficar na casa, Bolinha respondeu:


_ Minha família e a dele.  


Casa alugada, carnaval chegou e Bolinha, Denil e mais de quarenta pessoas se estabeleceram na casa, caixas e caixas de cervejas, refrigerantes, destilados foram empilhados na varanda e garagem da casa. Era tanta bebida que os vizinhos vinham com engradados vazios para comprar cerveja pensando ser ali um depósito distribuidor. 


Geralmente a turma passava o dia na praia, bebendo e cantando sambas de enredo, Bolinha passava o carnaval inteiro de sunga e só tomava banho de mar. Sobre os carnavais organizados por Bolinha e sua turma muitas histórias devo contar ainda, mas me lembrei de um peixe que alguém comprou ou pescou, não me lembro bem e assou na padaria do Carlinhos. Quando a iguaria estava na mesa para ser degustado me aparece Bolinha, completamente bêbado, com uma garrafa de pimenta nas mãos e jogou todo o conteúdo da garrafa sobre a bandeja, estragando o banquete.


O amigo possesso de raiva pegou a bandeja e chapou sobre Bolinha que ficou da cabeça aos pés coberto de molho e pedaços de peixe. Ele gargalhava e todos, até o dono do peixe que por ele foi estragado gargalhava também. Depois Bolinha comprou outro peixe, fez, todos comeram e ficou tudo certo. 


A vida é um sopro, no caso de Bolinha foi um assobio, que toda aquela turma do Porto Velho ainda ouve nos dias de hoje, gargalham e lacrimejam. Depois de Bolinha o Porto Velho jamais foi o mesmo. 


Obs: Voltarei ao personagem em momento oportuno. 


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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor.

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