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Sonho ou Realidade? - por Cristiana Souza


Reprodução internet
Reprodução internet

Celeste acordou como de costume bem cedo, e rapidamente levantou para fazer o café e despertar para mais um dia da sua rotina e labuta.


Porém, contudo, todavia, ao pegar o celular para verificar a hora, levou um susto, pois já passava das 11h, e logo pensou: "Deu pane no celular! Cadê meus cachorros que não me chamaram"?


Percebeu que a casa estava num silêncio incomum; os cachorros não latiram, as crianças na casa do vizinho não choraram com a ida da mãe para o trabalho, não havia barulho de carros, transeuntes, nada… Tudo estava silencioso e atípico.


Correu no portão com esperança de ver alguma movimentação e mais uma vez, nada encontrou ou ouviu.


Por um momento pensou ter enlouquecido ou estar num daqueles sonhos, nos quais acordamos com a sensação de terem sidos reais.


Ao voltar para dentro da sua casa, pegou novamente o celular, mas dessa vez não para ver a hora e sim ligar para o primeiro contato que aparecesse na última conversa do whatsapp. Deu um suspiro de alívio, pois a última pessoa que havia falado foi com sua mãe desejando boa noite.


Com as mãos trêmulas fez a ligação, mas a mãe não atendeu. Ligou mais umas 13 vezes e não ouviu o "Oi minha filha, está tudo bem"? como de costume.



Desesperadamente ligou para todos os contatos telefônicos e ninguém atendeu. Fez um xingamento e atestou que dos muitos contatos salvos na agenda do celular, só tem proximidade com algumas pessoas.


Gritou mais alto que pôde, olhando para um céu plúmbeo, sem o canto dos pássaros, buscando resposta do que estava acontecendo. Fechou os olhos com força e, ao abri-los, tudo havia voltado a ser como todos os dias: cachorros latindo, cheiro de café, crianças fazendo manha, conversas dos vizinhos, rádio ligado, veículos e vidas passando pela rua…


Sorriu e agradeceu por ter sua rotina de volta; cansativa, barulhenta e repleta de um caos "previsível".


E não mais que de repente se deu conta que ainda estava deitada na sua cama quente, confortável e sendo uma pessoa privilegiada por não acordar com tiros de fuzil pela janela e com a polícia invadindo a sua casa e matando inocentes por serem negros, pobres e favelados.


A hora no celular mostrava 6h da manhã…


Teria sido sonho, realidade ou o mundo invertido de Celeste?

 

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Cristiana Souza é assistente social.



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