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A Pedra da Coruja - por Erick Bernardes


Foto: Alex Wolbert
Foto: Alex Wolbert

Imagine o cenário: soldados postados no espaço gonçalense onde hoje se encontra o ICBEU. Do outro lado, comandantes prontos para esticarem os braços e gritarem "fogo!". À frente da cena, um pouco mais adiante e no alto, o Morro da Pedra da Coruja com o seu paredão rochoso em vias de ser atingido. Exatamente, na época não havia a cruz que encima o morro, claro que não, o tal cruzeiro tornado símbolo estampado na bandeira de São Gonçalo chegou depois. Mas antes, ah, um pouco antes, por volta de 1660, bem atrás do Hospital da Mulher, pertinho da Praça Estephânia de Carvalho, tiros de canhão "cantaram" em SG.



De acordo com Alex Wölbert (2015, s/p), a Pedra da Coruja possui esse nome por causa do formato da ave noturna. Segundo ele, quando vista pelos portugueses ao entrarem no território de São Gonçalo pelo rio Imboaçu, a tal rocha chamava atenção. "Ela foi durante muito tempo um ponto de vigia da Vila de São Gonçalo (atual Zé Garoto). Lá ficavam os sentinelas para vigiar possíveis invasores como os índios Tamoios e outros".



Como se vê, houve um tempo cuja história do Brasil teve São Gonçalo como palco. Exato, falo sobre também da Revolta da Cachaça, nome dado ao impasse violento de quanto os donos de alambiques confrontaram o governo do Rio de Janeiro por questões de impostos e taxas de comercialização da aguardente produzida aqui. Contudo, por causa dessa revolta, alguns cidadãos afirmam que o exército (por ordem do Governador Geral) lançou tiros de canhão na Pedra da Coruja no intuito de que os destroços decorrentes dos impactos do chumbo contra a rocha caíssem sobre os referidos revoltosos que se abrigavam nas casas abaixo do paredão de pedra. Incrível, não é? Necessário admitir ser esse um quase roteiro de filme.



Desse modo, três séculos após, a Pedra da Coruja receberia a cruz que a tornou tão ou tanto famosa e virou estampa do brasão municipal. Mas isso é assunto pra outra ocasião, até mais.



Assista ao vídeo sobre o assunto feito por Paulo Paiva: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=4185059784876087&id=100001163202554

Erick Bernardes é escritor e professor mestre em Estudos Literários.