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Metade dos adolescentes acredita perder tempo com internet que consideram ruim, diz pesquisa

Levantamento do Instituto Alana mostra que 71% dos jovens de 13 a 17 anos acham que a internet precisa mudar, mas só 19% se sentem capazes de agir; 49% relatam queda na criatividade


Foto: reprodução
Foto: reprodução



Pesquisa Adolescência Sem Filtro, divulgada nesta quarta-feira (12), Dia Internacional da Juventude, revela que 50% dos adolescentes brasileiros de 13 a 17 anos passam mais tempo na internet do que gostariam. O estudo foi realizado pelo Instituto Alana, em parceria com a agência Koga, com 505 entrevistados entre 15 e 25 de junho, com margem de erro de 4,39 pontos percentuais.


O levantamento aponta para uma juventude que considera sua relação com o universo digital longe do ideal. Praticamente a mesma proporção dos que passam mais tempo online do que gostariam (50%) acha que sua criatividade diminuiu em razão do uso da internet (49%). Cerca de 40% dos entrevistados afirmam estar mais dependentes do celular e da internet do que há dois anos, além de perceberem perda na qualidade do sono e no tempo de estudo, e manifestarem medo de golpes ou fraudes.


O tempo diário de uso é elevado: quase 80% dos adolescentes ficam online por mais de três horas. Desses, 22% passam de 5 a 6 horas, 11% de 7 a 8 horas, e 15% ultrapassam 8 horas diárias. As sensações durante o uso variam: 71% sentem diversão muitas vezes ou sempre, 63% felicidade, mas 27% relatam cansaço, 23% raiva e 22% ansiedade.


A maioria (71%) acredita que a internet precisa mudar e se tornar melhor, mas apenas 19% se sentem capazes de fazer algo para promover essa mudança, enquanto 9% acham que seria melhor que a internet deixasse de existir. Apesar disso, 66% avaliam que sua relação com a internet melhorou nos últimos dois anos, e 57% dizem ter mais controle sobre o tempo de uso atualmente. Mais da metade (53%) valorizam mais os momentos presenciais e offline.


Os adolescentes desenvolvem estratégias para lidar com o ambiente digital: 44% bloqueiam contas ou conteúdos, 37% denunciam perfis inadequados, 32% fazem pausas, 26% desinstalam aplicativos e 24% limitam o tempo de tela. Apenas 12% não fazem nada.


Para Gabriela Barbosa, especialista do Alana, os jovens têm clareza sobre o que lhes faz bem ou mal na internet. “O desejo de mudança dos adolescentes anda lado a lado com uma sensação de impotência”, disse, referindo-se à disparidade entre os 71% que querem mudanças e os 19% que se sentem capazes de agir. “Para reduzir essa sensação de impotência, é necessário que eles estejam envolvidos nas decisões, nas definições de regras, inclusive construindo tudo isso junto aos pais.”


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